Viagens e Gestação

Viajar é muito gostoso, mas pode acabar em dores de cabeça também, principalmente quando não planejamos adequadamente o roteiro e tudo o que estar em um lugar diferente implica.
Ler os regulamentos da empresa aérea, conhecer as exigências sanitárias do país/região que irá visitar, para fins de vacinação ou mesmo para o transporte de medicamentos conforme quantidades permitidas, são algumas preocupações que devem ser vistas com atenção.
No caso específico de viagens de avião, há duas situações corriqueiras e que geram dúvidas e ansiedade: pessoas com doenças graves ou necessidades especiais (PNE) e gestantes.
No caso de pessoas com doenças graves ou PNE, as empresas de aviação têm um formulário chamado MEDIF que consiste em diversas perguntas que o médico desta pessoa deve preencher para ser analisado pela empresa aérea para diversos fins, como: se precisa de oxigênio, se é necessário mais de um assento, se o viajante tem condições clínicas de tolerar variações de pressão e o tempo de viagem, etc.
No caso da gestante, no entanto, não é sempre necessário o MEDIF e isto vai depender das semanas de gestação. Em geral, o primeiro trimestre não existe contraindicação absoluta, mas, se a gestante tiver muitas náuseas e costumar vomitar bastante, talvez tenha uma experiência desagradável durante a viagem. O segundo trimestre é o mais tranquilo, pois a gestante não terá tanta náusea e o peso e volume da barriga não são tão grandes, o que provocará menos desconfortos.

viagens e gestação

Gestantes podem viajar tranquilamente (Fonte da foto: Pixabay).

Em geral, até 28 semanas, nenhum atestado médico ou MEDIF é requerido, mesmo em gestações múltiplas e desde que a gestante esteja saudável, sem qualquer condição mórbida especial (que vou citar mais à frente).
A partir de 28 semanas, começam a aparecer exigências de documentação. Normalmente, atestado médico é o suficiente até 36 semanas não completas (gestação única) ou 32 semanas não completas (gestação múltipla).
Após 36/32 semanas, a probabilidade de o parto ocorrer é maior, a barriga está grandona e, portanto, há mais riscos de complicações, porém a viagem pode ser liberada mediante atestado médico ou MEDIF.
Após 39 semanas, normalmente é barrado o embarque.
Os atestados exigidos devem seguir as normas de cada companhia aérea, que normalmente são semelhantes.
Independente da semana de gestação, alguns cuidados devem ser tomados. Gestantes têm maior risco de trombose venosa profunda (TVP) em membros inferiores, portanto, há indicação de meia elástica para diminuir o risco desses eventos. Em alguns casos, enoxaparina (um tipo de anticoagulante por injeção subcutânea) está indicado como prevenção de TVP. Caminhar durante o voo é algo importante para diminuir risco de TVP e também para conforto.
Quando já estiver com barrigão, o cinto deve ficar abaixo da barriga para ficar mais confortável e seguro. Sentar na poltrona do corredor é uma ótima estratégia para as pequenas caminhadas e também facilita o deslocamento para o banheiro (quem já foi gestante sabe como é chato ter que urinar de hora em hora). Imagine uma viagem de 9h de avião, com a gestante sentada à janelinha. Certamente vai ser complicado...

viagens e gestação

Aproveitem esta fase para viajar, lindas futuras mamães! (Fonte da foto: Pixabay).

Gestantes com problemas gestacionais (tais como: sangramentos, contrações importantes em intervalos curtos de tempo, hipertensão, gravidez ectópica/tubária (gravidez fora do útero) são alguns exemplos de contraindicações a viagens e que, mesmo liberadas pelo médico, podem ser barradas pela empresa aérea. Melhor não viajar nestas condições.
Quanto às vacinas, toda gestante deve fazer seu Pré Natal (PN) corretamente. Junto à carteira de PN, existem tabelas com as orientações de vacinações necessárias. Algumas não são obrigatórias até que se faça alguma viagem na qual seja exigida imunização. Por exemplo, estamos passando por um período de epidemia de Febre Amarela. O ideal seria não viajar para áreas de risco por um motivo importante: o vírus da vacina é atenuado (ou seja, ele é “vivo”) e todas as vacinas com vírus atenuados são evitadas durante a gestação, salvo condições especiais. Se a gestante precisar muito viajar para uma área endêmica de febre amarela, tem que ser avaliado junto ao seu obstetra o risco e benefício da vacinação (em teoria, segundo a FEBRASGO – Federação Brasileira de Geriatria e Obstetrícia – o risco é mínimo de causar malformação no feto, mas ele existe). O mesmo vale para um país que ainda tenha casos de sarampo, por exemplo.
As informações contidas nesta breve orientação podem ser encontradas no site da FEBRASGO (http://www.febrasgo.org.br/site/?p=13197) e sites das Cias Aéreas. Também tive auxílio da minha amiga Luciana Piedemonte, obstetra e ginecologista. Espero que estas orientações ajudem vocês, gestantes, na hora de decidirem fazer uma viagem, principalmente se for de avião. E, claro, reforço que é importante consultar seu obstetra para planejar a viagem com mais segurança.

Texto de autoria de: 
Ivan Maziviero de Oliveira
Médico especialista em Clínica Médica pela FCM-UNICAMP
Residente em Geriatria/ Gerontologia pela EPM-UNIFESP
CREMESP: 144.677

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Agradecemos ao Ivan pela disponibilidade em contribuir com o "Rodas nos Pés"! 

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