Toca da Raposa

Este texto é sobre um lugar que desperta diferentes sentimentos: a Toca da Raposa, localizada no município de Juquitiba-SP. É um lugar de consciência ambiental, ideal para repensarmos a função do ser humano neste planeta!

1. COMO CHEGAR:

A Toca da Raposa está localizada no Km323 da BR116-Rodovia Régis Bittencourt (sentido a São Paulo).
Partindo da capital paulista, são cerca de 90km de distância, cerca de 1h15min de carro.
Para chegar à Toca da Raposa, é preciso seguir até o Km326 da BR-116 e fazer o retorno sentido São Paulo. Você voltará 3km na direção de São Paulo.
O acesso é relativamente discreto, apesar de haver uma placa na entrada do local escrito “Toca” bem grande.

2. ACESSANDO A TOCA:

Na portaria, é anotado o número da placa do veículo e o número de pessoas.
Depois que você acessar a Toca da Raposa, um monitor vai trocar o papel da placa por uma comanda que deverá ficar com você o dia todo.
Há estacionamento no local, com capacidade total para 140 carros e 10 ônibus.
Ao final do dia, tudo é pago junto: a entrada na Toca (R$65,00) + tudo o que você consumiu lá dentro.
A comanda é devolvida na portaria, na saída.

3. CRIADOURO CONSERVACIONISTA:

A Toca da Raposa NÃO É UM ZOOLÓGICO!
É um espaço mantenedor que recebe animais que foram resgatados em ações de tráfico, domesticação ilegal, devolução de animais domesticados legalmente aos órgãos ambientais responsáveis, filhotes resgatados em situações adversas, etc. A propriedade possui convênio com o IBAMA.
Os animais que estão no local não podem retornar ao seu habitat natural por diversos motivos: mutilação, domesticação, cegueira, perda de penas, stress, traumas psicológicos, etc. Os animais que vivem na toca não sobreviveriam se fossem soltos. E aqui eles ficam até o último dia de vida recebendo tratamento.
É óbvio que senti uma pontinha de tristeza em ver os bichinhos em viveiros, porém, se não fosse o cuidado despendido pela Toca, provavelmente todos aqueles animais já estariam mortos há muito tempo! É uma mistura de sensações: ver que os animais estão ali por ações humanas negativas e saber que os animais só estão vivos porque existem ações humanas positivas.
Para os adultos, é um lugar de conscientização sobre os atos humanos com relação aos animais, e para as crianças, uma possibilidade de mostrar desde cedo como as ações do Homem podem ser negativas a outros seres vivos.

3. TRILHA COM O BIÓLOGO RESPONSÁVEL:

A trilha com o biólogo responsável começa ao lado do Café do Cascudo, onde é apresentado o trabalho da Toca da Raposa.
Em seguida, o biólogo mostra um dos animais que estão aos cuidados da Toca: uma corn snake (cobra-do-milho), serpente norte-americana.

toca da raposa

Cobra do milho (Foto: Tissiana Souza).

A cobra-do-milho é comumente adquirida para domesticação, porém essas criações são ilegais, devido a uma lei que proíbe que esta espécie seja domesticada.
O biólogo acredita que a corn snake que está na Toca tem cerca de 2 anos (se tiver sido bem alimentada). A cobra ainda é pequena, mas pode chegar a 1,70m de comprimento na fase adulta.
A cobra-do-milho está sem um pedaço da cauda.
O biólogo mostrou também um teiú, um lagarto típico do Brasil. O teiú está na Toca há cerca de 4 meses e provavelmente é um macho. Infelizmente, o animal está cego, não se alimenta sozinho e fica parado no mesmo lugar o dia todo. Eles preparam uma “papinha” líquida para que ele possa se alimentar.
Fomos ver os outros viveiros, onde encontramos um veado catingueiro, animal da Caatinga brasileira; um tucaninho (um “parente” dos tucanos); tucanos de bico verde; tucanos de bico amarelo; saguis (considerados hoje um problema urbano, pois comem de tudo); macaco prego; quatis; macaco prego do peito amarelo; arara Canindé; araras vermelhas; mico leão da cara dourada; e bugio.

toca da raposa

Veado Catingueiro (Foto: Tissiana Souza).

Durante a visita, lembre-se de não ultrapassar as cercas que delimitam o acesso aos viveiros; não provoque os animais tentando reproduzir os sons que eles fazem; não tente passar a mão nos animais (eles podem machucar seriamente); não tente dar comida para eles.
Se um macaco mostrar os dentes, não significa que ele está sorrindo para você. É uma forma de defesa!
Com relação ao surto de febre amarela, o biólogo contou que o vírus é um controle natural da população de bugios. Ele disse que, de anos em anos, ocorrem surtos de febre amarela que matam muitos destes animais, pois eles têm uma resistência muito baixa ao vírus. A febre amarela não chegou a Juquitiba, mas caso seja necessário, todos os animais serão transferidos para outros abrigos que tenham mosquiteiros para evitar que sejam picados pelo mosquito transmissor.
Outra coisa que ele contou é que os quatis são extremamente territorialistas e perigosos. Há 2 quatis na Toca da Raposa, mas eles não podem ficar juntos por causa deste territorialismo.
O macaco barrigudo e o macaco prego do peito amarelo foram domesticados desde filhotes juntos, por isso dividem o mesmo viveiro. O macaco prego cruza os braços igual a nós! Ele aprendeu isto convivendo com ex-donos.

toca da raposa

Macaco barrigudo (Foto: Tissiana Souza).

Depois de conhecermos os animais, descemos a trilha em meio à Mata Atlântica até chegar a uma réplica do Sítio do Pica-Pau Amarelo, um espaço usado em atividades educacionais com crianças. No local há uma casa de pau-a-pique do Tio Barnabé, a cozinha da Tia Anastácia, a oficina do Visconde de Sabugosa, Presépio, espaços dedicados ao Folclore, um lago com gansos e carpas.
No Sítio do Pica-Pau amarelo foi finalizado o passeio monitorado.

toca da raposa

Trilha por área de Mata Atlântica (Foto: Tissiana Souza).

***

Seguimos de volta para os viveiros e fomos conhecer o Espaço de Arte Kuikuro, onde estão à venda os artesanatos produzidos pelos índios, como arco e flecha, cocares, colares, brincos, pulseiras, bancos, redes, etc.
Almoçamos no restaurante Comidinhas da Toca, com capacidade para 300 pessoas. A comida é muito saborosa!
Depois do almoço fomos ver outros animais que não estavam no roteiro com o biólogo, como as corujas, a arara azul, os papagaios verdadeiros, as raposas e os tamanduás-bandeiras.

toca da raposa

Arara Canindé (Foto: Tissiana Souza).

toca da raposa

Raposa: o animal que dá nome ao lugar (Foto: Tissiana Souza).

Antes da apresentação com os índios, paramos no Café do Cascudo, tomamos um cappuccino e dividimos um mega-pedaço de bolo de cenoura.

4. INTERCÂMBIO CULTURAL – ÍNDIOS KUIKURO (ALTO XINGÚ-MT-BRASIL):

Às 14:30 começou a apresentação com os 50 indígenas da nação kuikuro, que vivem no interior do Parque Indígena do Xingu, uma área de 30.000 km² localizada no Estado de Mato Grosso.
São 16 nações vivendo no território do Parque Indígena do Xingu, que estão distribuídas pelos seguintes grupos linguísticos: Tupi, Jê, Karib, Aruak e uma língua isolada. Os kuikuros pertencem ao grupo que fala a língua Karib.
O intercâmbio cultural entre os índios kuikuro e a Toca da Raposa ocorre há cerca de 20 anos! Todos os anos os índios vêm para Juquitiba e com o dinheiro arrecadado compram itens para melhorar a infraestrutura da tribo.
Na aldeia cenográfica, os índios (homens, mulheres, adolescentes e crianças) mostram as danças e cantos que realizam na aldeia: Taquara, Tawaruanã, Yamuricumã, Ahasa, Duhe; rituais: Kuarup, Jawari; demonstrações com arco e flecha; e luta (uka-uka).

toca da raposa

Índios kuikuro durante apresentação na Toca da Raposa (Foto: Tissiana Souza).

Ocorreram muitos momentos de integração com os visitantes. Nas danças com homens e mulheres, todos foram convidados a dançarem com eles. Na dança exclusiva das mulheres kuikuros, as mulheres da plateia foram convidadas a dançar também!

toca da raposa

Apresentação dos índios com danças típicas (Foto: Tissiana Souza).

Depois das performances de luta uka-uka, dois homens, duas mulheres e duas crianças foram convidadas a lutar! Foi o momento das risadas!Ao final da apresentação, todos foram conhecer as ocas cenográficas, pudemos tirar fotos com os índios e degustamos peixe com biju.

toca da raposa

Homens lutando uka-uka (Foto: Tissiana Souza).

toca da raposa

Girl power: mulheres na uka-uka! (Foto: Tissiana Souza).

Quem quis, também pôde fazer uma pintura corporal com urucum e jenipapo. As pinturas duram cerca de 15 dias na pele.
Cada vez mais os costumes indígenas vêm ficando distantes da nossa realidade de acesso à cultura. Valorizamos tantas coisas, e muitas vezes deixamos de valorizar o que é nosso!
Muitas pessoas consideram que o verdadeiro índio é aquele que vive isolado, caça, não usa roupas, não tem acesso à tecnologia, tendo que viver como um primitivo. O que não é verdade!
Nós também absorvemos elementos de outras culturas. A televisão, a energia elétrica, o computador, o telefone, por exemplo, não inventados no Brasil, e nem por isso deixamos de incorpora-los à nossa realidade. Não deixamos de ser brasileiros por conta disso. Então, porque os índios não podem incorporar as tecnologias ao seu dia-a-dia? Eles não deixarão de ser índios! (Momento de reflexão!)

***

A Toca da Raposa está aberta para visitantes até 21 de maio de 2017, último dia da apresentação dos kuikuros! Depois disso, o estabelecimento recebe somente excursões de grupos fechados.
A estrutura da Toca da Raposa conta ainda com alojamentos, piscina, quadra poliesportiva, escorregadores de farinha (adulto e infantil), espaços para reuniões, workshops e eventos corporativos, parede de escalada infantil, arvorismo (infantil), tirolesa, enfermaria.
A Toca da Raposa funciona aos finais de semana e feriados, das 10:00 às 17:00 horas.

Endereço

Rodovia Régis Bittencourt, km 323, Bairro das Senhorinhas, CEP 06950-000.
Tel.: (11) 3813-8773, (11) 4681-2854
Juquitiba-SP 

Preço para o ano de 2017

R$ 65,00

Horário

Finais de semana e feriados, das 10:00 às 17:00 horas.

Para mais informações

Adicionar um comentário

%d blogueiros gostam disto: