Paranapiacaba: uma vila inglesa no Brasil

Encravado no meio da Serra do Mar, surge um lugar que parece um cenário de filme: a Vila de Paranapiacaba, distrito de Santo André – SP.

Paranapiacaba parece um lugar do interior paulista, porém, está situada na Região Metropolitana de São Paulo. O local atrai muitos turistas pela sua peculiaridade arquitetônica e suas belezas.

Passar um dia na Vila é algo diferente e surpreendente! É hora de descobrir neste texto a vila inglesa mais brasileira que você já viu!

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Imagem do Google com a distribuição das atrações de Paranapiacaba (Fonte: Google Maps, 2017).

1. COMO CHEGAR:

-Carro: Pela Rodovia Sp-050 (Rodovia Anchieta), passe sobre a Represa Billings. Siga a Placa Marrom “Caminhos do Mar – Polo Ecoturístico – Utilize Saída 29”.

Na saída 29, siga as placas em sentido a Rib. Pires/Pq. Estoril/Paranapiacaba. Você seguira por uma estrada de mão simples, a Rodovia Caminho do Mar (SP-148), até chegar na rotatória da Estância Alto da Serra. Siga a placa em direção a Rio Grande da Serra/ Paranapiacaba/Mauá/Ribeirão Pires/Suzano.

E em seguida, continuar no sentido da placa azul Ribeirão Pires/Suzano. Você estará na SP-031 (Rodovia Índio Tibiriçá).

Seguir até o km45,5 e manter-se à direita conforme a placa Av. Francisco Tometich/Jd. Valentina, para passar dentro da cidade de Ribeirão Pires. Seguir até o final da Av. Francisco Tometich até chegar no trevo. Seguir a placa de indicação para Rio Grande da Serra/Paranapiacaba. Agora você estará na Rodovia Dep. Antônio Adib Chammas (SP-122) (Rodovia Ribeirão Pires-Paranapiacaba) e seguirá por ela até chegar em Paranapiacaba.

-Trem: O Trem Expresso Paranapiacaba é um serviço da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) que sai da Estação da Luz, no centro de São Paulo. Há também uma parada na Estação Prefeito Celso Daniel, em Santo André. O percurso é feito pela atual Linha 10-Turquesa, e conforme o site da CPTM, tem uma extensão de 48km, durando cerca de 1h30min.

Este trajeto é bastante disputado e os bilhetes só podem ser adquiridos nas bilheterias físicas das Estações da Luz e Prefeito Celso Daniel. Em geral, os bilhetes acabam muito rápido!

Mais detalhes sobre vagas e calendário podem ser visualizados no link a seguir:
https://www.cptm.sp.gov.br/sua-viagem/ExpressoTuristico/Pages/Vagas-e-Calendario.aspx

Os valores dos bilhetes podem ser vistos no link:
https://www.cptm.sp.gov.br/sua-viagem/ExpressoTuristico/Pages/Tarifas.aspx

2. A PALAVRA "PARANAPIACABA":

É uma palavra de origem tupi-guarani que significa “lugar de onde se avista o mar”.

Da pequena Vila de Paranapiacaba, mais precisamente de um ponto estratégico que falaremos mais afrente, é mesmo possível ver o mar!

3.O PASSEIO PELA VILA:

Nossa visita pela Vila começou pela Igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba, de 1889.

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A Igrejinha do Bom Jesus de Paranapiacaba (Foto: Tissiana Souza).

A igreja fica na parte da Vila que não é ferroviária, conhecida como “Vila Portuguesa” ou “Parte Alta”, no topo de uma colina que permite a visão das serras cobertas de Mata Atlântica e da vila ferroviária. A igrejinha é bastante simples, de paredes amarelas e piso preto e branco, porém é bem bonitinha!

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Interior da Igreja (Foto: Tissiana Souza).

Segundo o site da Prefeitura de Santo André, a Vila Portuguesa é marcada por uma ocupação urbana de ruas estreitas e casas de frentes edificadas ao alinhamento das calçadas. Se diferencia totalmente para Parte Baixa, onde está a vila ferroviária.

Descemos pelas ladeirinhas estreitas e bem inclinadas rumo à parte mais tradicional da vila. Cruzamos a passarela sobre a Ferrovia e chegamos na tão famosa cidadezinha de estilo britânico.

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Passarela entre a Vila Portuguesa e a Vila Inglesa. Ao fundo, a Vila Portuguesa (Foto: Tissiana Souza).

A história da vila começa em 1850, quando o Barão de Mauá idealizou a construção de uma ferrovia entre Santos e Jundiaí. Em 1856, através de um decreto imperial, a concessão ferroviária foi dada à São Paulo Railway Ltda. A empresa foi responsável pela construção da ferrovia e o direito de 90 anos de exploração (Fonte: Prefeitura de Santo André).

A ferrovia foi inaugurada em 1867. No trecho de Paranapiacaba, a empresa foi obrigada a manter os funcionários no local, para manutenção e complementação das obras. Com a duplicação da ferrovia, a Vila Martin Smith foi edificada. A Vila somente surgiu por causa do traçado da ferrovia.

Em 1945, a Vila deixou de ter o nome de Martin Smith para se chamar Paranapiacaba. Em 1946, a São Paulo Railway foi incorporada ao Patrimônio da União, deixando de ser administrada pelos ingleses.

Ao cruzar a passarela, o destaque é a Torre do Relógio da Estação. É o “Big Ben” de Paranapiacaba! Segundo o site da Prefeitura de Santo André, o relógio servia para regular o horário de trabalho dos funcionários e os horários dos trens. De acordo com o guia do Museu Castelinho, a máquina do Relógio da Estação foi construída pelo mesmo fabricante do Big Ben.

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Vista da passarela, com o "Big Ben" ao fundo! (Foto: Tissiana Souza).

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A Torre do Relógio de Paranapiacaba (Foto: Tissiana Souza).

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O Museu Ferroviário, visto da Passarela (Foto: Tissiana Souza).

Viramos à esquerda na Rua da Estação, que depois fará uma curva suave à direita. Em seguida, viramos à esquerda na Av. Rymkiewicz, fizemos uma curva suave à direita para a Av. Schonnor e seguimos até ao gramado onde está o Trem Abandonado, mais conhecido como Locobreque.

O locobreque é muito disputado para fotos. É bastante enferrujado, mas é bem interessante!

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O Locobreque, um dos pontos mais visitados de Paranapiacaba (Foto: Matheus Sabino).

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Uma foto no Locobreque não poderia faltar (Foto: Matheus Sabino).

Depois de ficarmos um pouco no Locobreque, fomos andar pelas ruas da Vila, que foi totalmente planejada. As ruas são parte de terra e parte de paralelepípedo e as casas de estilo inglês, feitas sob medida. As madeiras de pinho europeu (ou pinho de riga) foram todas cortadas na Europa e as casas vieram prontas para serem montadas no Brasil. As telhas são francesas.

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Casas da Vila de Paranapiacaba (Foto: Tissiana Souza).

As residências são predominantemente pintadas de marrom. A tinta nesta cor era usada para pintar os trens e aproveitada para também pintar as casas.

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Casas típicas da Vila de Paranapiacaba (Foto: Tissiana Souza).

Saindo do Locobreque, subimos a Av. Ford e viramos à direita na Av. Antonio Olyntho. Aproveitamos para conhecer o prédio do Clube União Lyra Serrano, onde estava acontecendo uma feira de artesanato com música ao vivo.

O Lyra Serrano era o clube dos ferroviários e foi fundado na década de 1930. Durante o Festival de Inverno de Paranapiacaba, que acontece anualmente, recebe as atrações do Sesc (Fonte: Prefeitura de Santo André).

Continuamos pela Av. Antonio Olyntho até chegarmos ao Mercado Popular de Paranapiacaba. Lá havia uma feirinha de doces e salgados e produtos feitos de Cambuci, uma fruta típica da região. Compramos trufas de Cambuci para provar! O mercado era o antigo local de venda de secos e molhados da vila (Fonte: Prefeitura de Santo André).

Passando o Mercado Popular de Paranapiacaba, subimos o Caminho dos Mens até a entrada do Museu Castelinho.

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O Castelinho de Paranapiacaba (Foto: Tissiana Souza).

O Museu Castelinho é um grande sobrado visto de todos os pontos da Vila. Era a Mansão do Engenheiro Chefe da Ferrovia, que também era o “prefeito” do local.

O bilhete de entrada para o Castelinho custa R$3,00 e a visita guiada dura cerca de 30 minutos.

Nosso passeio pela casa começou pela três Salas de Visitas, estrategicamente pintadas na cor vermelha. Segundo nosso guia, o vermelho gera no nosso cérebro sensações de incômodo/ansiedade, por ser uma cor quente. Assim, quem visitava a casa nos tempos em que era habitada pelo chefe não ficava muito tempo por lá. É como se as paredes vermelhas dissessem “pode entrar, mas vá logo embora!”.

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A sala com paredes vermelhas no Castelinho (Foto: Tissiana Souza).

O Castelinho também continha duas salas de refeições: uma para a família do engenheiro e outra para os visitantes. As salas ficavam conectadas por uma terceira sala, conhecida como “Sala Armário”, onde as louças eram guardadas. Assim, poderiam ocorrer dois jantares simultâneos na residência.

Em uma das salas de refeições, o visitante poderá observar uma mesa feita em pinho europeu, a mesma madeira usada para a construção das casas de Paranapiacaba.

Na antiga Sala de Estar, fica a maquete da Vila. É bem interessante observa-la, pois mostra como era a distribuição espacial das casas e como a hierarquia de cargos da ferrovia se refletia neste espaço.

No ponto mais alto da vila, morava o Engenheiro Chefe. A casa (Castelinho) é propositalmente situada no topo de um morro, para dar a impressão de que os trabalhadores e os moradores estavam sendo constantemente vigiados. A casa contém 32 janelas, o que permite ver toda a vila em 360º. Esta sensação de ser observado é conhecida como panoptica. Também das janelas é possível ver o mar! Faz jus ao nome da vila!

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O lugar de onde se avista o mar: no fundo da fotografia, é possível ver Cubatão (Foto: Tissiana Souza).

No segundo ponto mais alto da vila morava o Engenheiro Subchefe. A casa não existe mais.

Depois, na parte mais plana da vila, as casas mais próximas ao morro do Castelinho eram onde moravam as pessoas com melhores cargos na ferrovia. Os cargos menores ficavam mais distantes. Já os rapazes solteiros dormiam em galpões coletivos.

Após a década de 1940, o Castelinho tornou-se depósito de peças da ferrovia e depois, um seminário. Hoje, como museu, conta a história da vila e da ferrovia. Podemos encontrar o “carro de parteira”, um carrinho de manutenção da ferrovia para duas pessoas, mas que carregou muitas grávidas e parteiras, pois não havia outra possibilidade de deslocamento em casos emergenciais na época.

Um esquema em maquete mostra como foi a construção dos túneis da ferrovia, utilizando o sistema de arcos romanos.

Terminamos nossa visita pelo Castelinho e seguimos para o Museu Tecnológico Ferroviário, com entrada custando R$ 5,00. O acesso está na passarela sobre a ferrovia.

Conforme o site da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária – ABPFSP (Regional de São Paulo), o Museu Ferroviário de Paranapiacaba está situado no “antigo pátio de manobras, máquinas fixas, oficinas, carros, vagões, locomotivas e objetos de uso ferroviário dos dois sistemas funiculares que operaram no trajeto entre o Alto da Serra e a Raiz da Serra”.

Também de acordo com o ABPFSP, o Sistema Funicular, utilizado para ajudar as composições a subirem a serra, é um conjunto único do mundo mostrando a técnica ferroviária britânica do Séc. XIX.

Nos galpões, os visitantes poderão ver as ferramentas utilizadas pelos trabalhadores, “carros de parteira”, composições dos trens. No galpão da 5ª Machina – Novos Planos Inclinados está a locomotiva nº 15, na qual viajou o Imperador D. Pedro II; um carro fúnebre; a locomotiva que percorreu pela 1ª vez o trecho Santos-Jundiaí, fabricada em 1862; uma máquina de tração para vagonetes de carvão, de 1907, do tipo “Decauville”.

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Ferramentas utilizadas na ferrovia (Foto: Tissiana Souza).

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Locomotiva onde viajou o Imperador D. Pedro II (Foto: Tissiana Souza).

Destaque também para o subsolo do galpão da 5ª Machina, onde está o Segundo Sistema Funicular da Ferrovia. O tamanho das peças é impressionante! Os cabos de aço são gigantes! O sistema mostra como era necessário muita força para dar uma “ajudinha” para os trens subirem a serra.

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O Sistema de Funicular da Ferrovia Santos-Jundiaí (Foto: Tissiana Souza).

4.CURIOSIDADES:

-A Vila de Paranapiacaba foi o 2º lugar do Brasil a receber uma sala de cinema;

-O campo de futebol do Serrano Athletic Club foi o primeiro campo da América Latina a possuir medidas oficiais;

-Charles Miller, o responsável pela implantação do futebol no Brasil, era ferroviário e jogou no campo do Serrano.

-Em 1987, a Vila de Paranapiacaba foi tombada pelo CONDEPHAAT, sendo considerado patrimônio histórico seu núcleo urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural de Mata Atlântica;

-A vila também é tombada pelo IPHAN;

-Desde o ano 2000, Paranapiacaba é integrante da Reserva da Biosfera da UNESCO;

-Desde 2003, existe o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranabiacaba, com 400 hectares de Mata Atlântica. Há 5 trilhas no interior desta Unidade de Conservação, que somente podem ser feitas com contratação de um guia.

Preço para o ano de 2017

Castelinho:
Adultos: R$3,00

Museu Ferroviário:
Adultos: R$5,00

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