Museu Nacional de Antropologia

O Museu Nacional de Antropologia (MNA) foi o ponto auge da nossa viagem pela Cidade do México! É um local in-crí-vel! É um museu gigantesco e único , digno de uma metrópole como CDMX.

Segundo o prêmio TripAdvisor Traveller’s Choice de 2017, este é o 7º melhor museu do mundo! E, com base nos museus que já visitei, posso dizer que o museu merece esta honraria!

A história dos povos que habitaram o México é contada passo a passo (ou sala a sala), e a cada acervo vamos vivenciando a evolução cultural, artesanal e técnica dos povos.

Se você tiver bastante tempo para visitar a Cidade do México e ama um museu, é possível passar o dia todo observando cada peça exposta! Uma verdadeira viagem antropológica e étnica!

museu nacional de antropologia

Fachada do Museu Nacional de Antropologia (Foto: Tissiana Souza).

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Pátio interno do Museu Nacional de Antropologia (Foto: Tissiana Souza).

1. COMO CHEGAR:

-Metrô: Estações Chapultepec (Linha 1) ou Auditorio (Linha 7). O museu está situado a cerca de 1,5 km das duas estações.

2. O MUSEU NACIONAL DE ANTROPOLOGIA:

Com um acervo tão grandioso e tantas informações a serem memorizadas, é difícil descrever um museu como este! Ao todo, são 23 salas de exposição: 11 destas estão ligadas à Antropologia e ficam situadas no térreo, e outras 12 salas são dedicadas à Etnografia, no 1º andar.

-Salas de Antropologia: 1) Introdução à Antropologia; 2) Povoamento da América; 3) Pré-clássico altiplano central; 4) Teotihuacán; 5) Toltecas e o Epiclássico; 6) Mexicas; 7) Culturas de Oaxaca; 8) Culturas da Costa do Golfo; 9) Maia; 10) Culturas do Ocidente; e 11) Culturas do Norte.

-Salas de Etnografia: 1) Índios de hoje; 2) Grande Nayar; 3) Puréecherio; 4) Otopame; 5) Serra de Puebla; 6) Oaxaca: povos índios do Sul; 7) Costa do Golfo: Huasteca e Totonacapan; 8) Povos maias da planície e das selvas;9) Povos maias das montanhas; 10) O Noroeste: serras, desertos e vales; 11) Os nahuas; e 12) Têxteis.

Esta viagem cultural se inicia já no pátio central do MNA, onde há uma escultura imensa conhecida como Paraguas (Guarda-chuva).

A grande estrutura de mais de 28 m lembra um tronco de árvore, porém é de bronze, e da cobertura cai água. É uma fonte! Num primeiro momento não percebi, mas depois, olhando atentamente, reparei no alto relevo! As imagens representam fatos históricos e símbolos mexicanos, como, por exemplo, a águia (símbolo do México), as figuras do índio e do espanhol, o guerreiro jaguar.

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O Paraguas no pátio central do museu (Foto: Matheus Sabino).

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O Paraguas: vejam como a coluna é alta. As pessoas ficam bem pequenas na foto! (Foto: Tissiana Souza).

A coluna de bronze é o centro de uma grande cobertura, de 82 m x 54 m, que é sustentada por cabos de aço conectados com o prédio do museu.

Na parte descoberta do Pátio Central há um espelho d'água e uma escultura do Caracol (El Sol del Viento), que fica afrente a Sala 6. Também é uma escultura feita em bronze com aberturas. Com a passagem do vento, o Caracol emite um som que lembra os instrumentos dos povos pré-hispânicos.

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O Caracol em primeiro plano. Ao fundo, na Sala 6, a Piedra del Sol (Foto: Tissiana Souza).

Segundo o Periódico mexicano “El Universal”, o acervo do Museu Nacional de Antropologia é composto por 7.761 peças em exposição! Uma caminhada por todos os corredores e instalações tem um comprimento de 5.500 m (serve como exercício do dia)!

O México é um país muito “mural”! Os murais estão sempre presentes e neste museu eles não poderiam faltar! Estão em todas as salas! Olhe para cima e você verá ilustrações interessantíssimas!

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Mural na entrada do Auditorio do MNA (Foto: Tissiana Souza).

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Mural no interior do MNA (Foto: Tissiana Souza).

Sendo um museu tão imenso e com uma carga de conhecimentos tão grande, resolvi descrever as partes que considerei mais interessantes de minha visita. Obviamente, isto representa um relato pessoal! Você pode visitar o museu e gostar de outras peças do acervo! Vamos “navegar” por este belíssimo museu mexicano?!

-Introdução à Antropologia:

A primeira sala apresenta aos seus visitantes o tema principal do museu - a Antropologia. É uma seção dedicada ao processo evolutivo do ser humano e suas formas de adaptação ao meio.

Nesta parte do acervo destaco a reprodução da Lucy (Australopithecus Afarensis), que viveu 3,5 milhões de anos Antes do Presente (A.P.) e a reprodução da Vênus Paleolítica (Paleolítico superior, de 27.000 a 22.000 anos A.P.), que é considerada uma das primeiras manifestações artísticas dos seres humanos.

Os crânios mostram a evolução corporal do Homem – Homo ergaster, Homo antecessor, Homo erectus, Homo sapiens, etc. As lanças deixam claras o desenvolvimento de novas técnicas de caça e pesca.

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Evolução dos crânios humanos (Foto: Tissiana Souza).

-Povoamento da América:

Nesta seção, encontramos representações em miniaturas que exemplificam o modo de vida de antigas tribos, mostrando a caça, pesca e distribuição do trabalho entre homens e mulheres, etc., e a reprodução de pinturas rupestres.

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Representação da vida nas tribos (Foto: Tissiana Souza).

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Pinturas rupestres (Foto: Tissiana Souza).

São muito curiosos os ossos de animais que habitaram o território mexicano, como a enorme mandíbula de Gonfoterio (Cuvieronius sp.), um animal semelhante a um elefante. Esta mandíbula data entre 120.000 e 11.500 anos A.P.

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E essa mandíbula, minha gente?! É grande! (Foto: Tissiana Souza).

A evolução das lanças, navalhas e facas também fazem parte desta sala.

-Pré-clássico altiplano central:

Compreende o período entre 2.300 anos a.C. até 100 d.C., no qual se estabeleceu o sedentarismo, a implantação da agricultura e a fabricação de cerâmica. Aliás, as cerâmicas em seus mais diversos formatos de animais e corpos humanos são o destaque desta terceira parte do museu.

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Cerâmicas do período pré-clássico, com formatos de animais (Foto: Tissiana Souza).

-Teotihuacán:

Teotihuacán foi uma cidade importantíssima, que concentrou o poder econômico da Meso-América entre os Sécs. I e VI. Além de uma representação da antiga cidade, há um acervo com objetos vindos do sítio arqueológico de Teotihuacán. Exemplos destes objetos são:

a) o Marcador de la Ventilla (Período Clássico, de 200-650 d.C.): um marcador de jogo de bola (juego de pelota), considerado uma peça muito especial por ser um dos poucos elementos encontrados que são relacionados com o jogo ritual em Teotihuacán. É formado por 4 peças desmontáveis: a base cilíndrica, seguida por uma peça cônica, uma esfera e o disco no topo.

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Marcador de la Ventilla (Foto: Tissiana Souza).

b) O Disco de La Muerte (Período Clássico, de 200-650 d.C.): é um crânio humano com a língua para fora. Há diversas interpretações para esta peça, que poderia ser o sacrifício humano e a morte do Sol ou corresponderia ao Deus mexica Mictlatecuhtli, Deus da Morte. Possui dimensões de 126 cm X 102 cm.

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O Disco da Morte (Foto: Tissiana Souza).

c) Monolito antropomorfo Chalchiuhtlicue (Período Clássico, de 200-650 d.C.): esta rocha esculpida de 3,16 m de altura  recebe também o nome de “Grande Deusa das Águas”. Esta escultura é dedicada à patrona das águas horizontes (rios, lagos e lagoas) e é uma associação com a agricultura e com a fertilidade.

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Monolito antropomorfo Chalchiuhtlicue (Foto: Tissiana Souza).

-Toltecas e o Epiclássico:

Após a queda da cidade de Teotihuacán, o altiplano central passou a apresentar novas cidades importantes.

Nesta seção, encontramos objetos bem interessantes como:

1) O Criador (Período Epiclássico, de 650-900 d. C.): representa um humano sentado em uma planta de cacau. Sua representação é uma analogia com a fertilidade e a origem divina dos governantes de Xochicalco.

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O Criador (Foto: Tissiana Souza).

2) Guacamaya (Período Epiclássico, de 650-900 d. C.): escultura talhada em basalto no formato de uma ave, utilizada nos jogos rituais (juegos de pelota).

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Guacamaya (Foto: Tissiana Souza).

3) Cabeça-coiote (Pós-clássico, de 900 – 1.250 d. C.): esta foi uma escultura do museu que pensei: “Adoraria ter algo tão diferente e inusitado em minha casa!”. É uma vasilha de cerâmica coberta por madrepérola, que simula a pelagem do coiote. Considero esta peça sensacional e muito criativa!

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Cabeça-coiote (Foto: Tissiana Souza).

- Mexicas:

O povo mexica era o mais poderoso da Meso-América quando os espanhóis chegaram.

A Sala 6 dos Mexicas é principal sala do Museu Nacional de Arqueologia! É a sala mais disputada de todas!

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Sala 6 "Mexicas": a queridinha dos visitantes do museu! (Foto: Tissiana Souza).

E por que esta sala é tão procurada? Porque é na sala 6 do MNA que está a Piedra del Sol (Pedra do Sol), do período Pós-Clássico Tardio (1.250-1.521 d.C.). É um grande disco solar com 3,58 m de diâmetro, com anéis concêntricos que rodeiam o rosto do Deus Sol. A Piedra del Sol é um dos símbolos do México!

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A concorridíssima Piedra del Sol: todo mundo quer uma foto com ela no fundo! (Foto: Matheus Sabino).

A Piedra del Sol é conhecida popularmente com Calendário Asteca. Foi esculpida em um grande bloco de basalto e tem aproximadamente 25 toneladas!

É realmente a sala mais atrativa do MNA!

Além da Piedra del Sol, outras peças do acervo são curiosas:

1) Teponaztli (Pós-Clássico Tardio, de 1.250 a 1.521 d. C.): instrumento musical mexica feito em madeira. Foi esculpido no formato de um guerreiro se arrastando pelo solo durante uma batalha.

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Teponaztli: um interessante instrumento musical! (Foto: Tissiana Souza).

2) Ocelocuauhxicalli (Pós-Clássico Tardio, de 1.250 a 1.521 d. C.): representação de um jaguar, conhecido como “Senhor da Noite”. Há uma cavidade talhada no dorso do jaguar, onde eram depositados o sangue e o coração de cativos sacrificados (O Jaguar aparece em primeiro plano na foto da Sala 6).

3) Piedra del ExArzobispado (Pós-Clássico Tardio, de 1.250 a 1.521 d. C.): com diâmetro de 225 cm e 71 cm de altura. A peça está associada com sacrifícios de gladiadores.

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A Piedra del ExArzobispado. Ao fundo, a Piedra del Sol (Foto: Tissiana Souza).

Depois de visitarmos a sala 6, começamos a passar mais rapidamente pelas outras salas. Não por culpa do museu, que como já destaquei é excelente, mas pelo cansaço de já termos visitado o Castillo de Chapultepec na parte da manhã. Conhecemos a sala de Culturas de Oaxaca e depois seguimos para a sala de Culturas da Costa do Golfo. Nesta última, destaco a Cabeça Colossal 6 (Pré-Clássico Médio – 1200 a 600 a.C.), que representa um dos temas principais retratados pelas tribos da Costa do Golfo do México.

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Cabeça Colossal 6 (Foto: Tissiana Souza).

Enfatizo também a Oferenda 4 (Pré-Clássico Tardio – 600 a 200 a.C.), com uma representação humana de granito e todas as outras em jade ou serpentina (mineral de silicato de magnésio).

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Oferenda 4 (Foto: Tissiana Souza).

Outra peça, o Deus Velho ou Huehuetéotl (Período Clássico, de 200-850 d.C.), mostra as características de uma pessoa idosa, com rugas na face, a barriga flácida e a falta de dentes.

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O Deus Velho (Foto: Tissiana Souza).

Passamos pela Sala Maya e seguimos para a sala de Culturas do Ocidente, onde encontramos um objeto curioso: a Máscara de Malinaltepec (Período Clássico Inicial – 200 a 600 d.C./Período Pós-Clássico Inicial – 1.100 d.C.). É um dos principais exemplares da cultura teotihuacana e impressiona pelo colorido das pedras que formam o mosaico.

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Belíssima máscara teotihuacana (Foto: Tissiana Souza).

A última sala do setor de Antropologia é a de Culturas do Norte.

Subimos as escadas rolantes rumo ao 1º andar, onde encontramos um acervo de peças mais recentes, que se destacam pelo uso de cores fortes da cultura mexicana. Este andar é pouquíssimo disputado, talvez pelas peças mais recentes e pelo maior interesse pelos povos antigos do México. Também acabamos passando muito rápido pelas salas por causa do horário e do cansaço. O acervo contém vestimentas, instrumentos musicais, objetos de uso pessoal, máscaras e canoas.

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A Árvore da Vida Mestiça - Setor dos "Povos Índios de Hoje" (Foto: Tissiana Souza).

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Canasta Con caac/Seri: um cesto enorme! Setor O Noroeste: Serras, Desertos e Vales (Foto: Tissiana Souza).

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Vestimentas típicas mexicanas (Foto: Tissiana Souza).

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Máscaras (Foto: Tissiana Souza).

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Cerâmicas (Foto: Tissiana Souza).

Ao final da visita fomos conhecer a Loja do Museu, que já estava fechando. Quando saímos do MNA já era noite!

Uau! Que viagem pela cultura dos povos do México!  

Endereço

Av. Paseo de la Reforma y Calzada Gandhi s/n, Col. Chapultepec Polanco. Del. Miguel Hidalgo. Código Postal: 11560, Cidade do México.

Quanto custa?

 70 pesos mexicanos

Horário

De terça-feira a domingo, das 9:00 às 19:00 horas.

Para mais informações

Museo Nacional de Antropología:
http://www.mna.inah.gob.mx/

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