Mosteiro de São Bento de São Paulo

O Mosteiro de São Bento está localizado no centro da cidade de São Paulo. É um local histórico da capital paulista, onde há mais de 400 anos estão instalados os monges beneditinos.
O Mosteiro está alojado desde o ano de 1.600 no mesmo lugar, que foi doado pela Câmara de São Paulo. O complexo beneditino está situado no ponto onde ficava a Taba do Cacique Tibiriçá (Fonte: site do Mosteiro de São Bento de São Paulo), considerado o 1° índio catequizado no Brasil e também o primeiro cidadão de Piratininga.
Ao longo destes séculos, o Mosteiro e sua igreja passaram por diversas reconstruções. A igreja foi reconstruída por 4 vezes! Durante a última grande reforma, iniciada em 1.900 por D. Miguel Kruse, foi inaugurado em 1.903 o Colégio de São Bento e em 1.908, a Faculdade de Filosofia, considerada o primeiro curso superior de Filosofia do Brasil (Fonte: site do Mosteiro de São Bento de São Paulo). 

1. COMO CHEGAR:

Metrô: Estação São Bento (Linha 1 – Azul). Siga as placas de orientação em direção à saída para o Largo de São Bento. Você sairá bem em frente à Igreja.
Caso você tenha programado a visita guiada, é só avisar a um dos seguranças da igreja e ele indicará a você a Secretaria. 

2. INFORMAÇÕES SOBRE A VISITA GUIADA:

As visitas guiadas à igreja são gratuitas e ocorrem às terças e às quintas-feiras no horário das 14:00 horas. O claustro é fechado ao público.
Para agendamento (individual ou em grupo) é necessário entrar em contato através do e-mail mosteiro@mosteiro.org.br

3. VISITA GUIADA PELA BASÍLICA DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO (IGREJA DO MOSTEIRO):

 A “Igreja do Mosteiro de São Bento”, na verdade, se chama Basílica de Nossa Senhora da Assunção. Aliás, uma lindíssima igreja! Cheia de detalhes, pinturas, imagens! Uma visita guiada é bem-vinda para entender a relação entre tantas informações que chegam aos nossos olhos!

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Igreja do Mosteiro de São Bento de São Paulo: uma preciosidade no centrão da capital!!! (Foto: Tissiana Souza).

Quem conduziu a visita, que durou cerca de 1 hora e meia, foi o Irmão Carlos, um monge beneditino. Ele foi brilhante nas explicações e nos comentários! Tem um profundo conhecimento sobre a história do Mosteiro, a arquitetura do local, reflexões sobre passagens da Bíblia e sua relação com objetos e pinturas da Igreja. Foi extremamente atencioso conosco e respondeu a todas as perguntas que o grupo fez, sempre com muita atenção e paciência. Dou nota 10 para o nosso guia!
A visita começa pela lateral direita da Igreja, onde fica a pia batismal que é usada até os dias de hoje nas celebrações de Batismo. O Irmão nos explicou que, nas igrejas antigas, as pias batismais ficam próximas à porta de entrada, pois o Batismo no Catolicismo é a primeira etapa para viver a religião.
O Irmão Carlos também nos contou um pouco a história da Igreja, que é relativamente recente. Sua construção foi iniciada em 1.910 e esta é a 4ª igreja construída no local. Os responsáveis pela construção foram os monges alemães beuronenses (da Abadia de Beuron) e o arquiteto responsável pela edificação, Richard Bernd, também era alemão. Os germânicos empregaram um estilo neorromânico na arquitetura, representado pelos arcos entre as colunas; o uso de cores mais sóbrias típicas dos beuronenses, como o marrom e tons avermelhados; as influências barrocas se dão pelas cores douradas e pelas imagens dos altares laterais; e a influência egípcia ocorre nas pinturas dos anjos, que estão de perfil.
Paramos no altar lateral dedicado a São Bento, onde há uma imagem do santo com características beuronenses – a cor da roupa marrom e de traços mais retilíneos, sem a representação de movimento – e a influência barroca, dada pelos detalhes dourados.

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Imagem de São Bento, com características beuronenses (Foto: Tissiana Souza).

O Irmão Carlos contou resumidamente a história de São Bento, que viveu entre os Sécs. V e VI d.C. O Santo é conhecido por ter praticado exorcismos, feito profecias e ainda por ter fundado doze mosteiros. Nosso guia ainda nos contou que a “Regra Monasteriorum” ou “Regra de São Bento”, livro do Séc. VI com 73 capítulos, é seguida até os dias de hoje pelos monges beneditinos, com algumas adaptações.
Seguimos para a Capela do Santíssimo, que fica ao lado direito do Presbitério. A Capela é lindíssima, inteiramente decorada com pinturas predominantemente nas cores verde, vermelho e marrom (influência dos monges de Beuron). A capela é decorada com passagens da Bíblia, vitrais e desenhos de palmeiras, que representam os papiros.
No altar da capela está o Tabernáculo, onde após as celebrações religiosas, é guardado o corpo de Cristo. Bem acima do Tabernáculo está uma pintura de Jesus Cristo, que tem feições que lembram as pessoas do Oriente Médio, com cabelos escuros e olhos castanhos. Não é uma representação em estilo europeu.

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A Capela do Santíssimo: um tesouro escondido em outro tesouro! (Foto: Tissiana Souza).

No teto da capela estão representados animais da fauna brasileira. Segundo o Irmão Carlos, os alemães ficaram impressionados com os nossos animais. Há principalmente borboletas e pássaros, mas o mais curioso é que os alemães também pintaram uma barata!

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A barata e o pássaro! Representações da fauna brasileira (Foto: Tissiana Souza).

Outro fato interessante são as pinturas dos pavões. Foi perguntado ao Irmão Carlos porque haviam tantos pavões pintados. Segundo ele, essas aves eram criadas por famílias reais e na capela representam “a realeza da Cristo”.
Seguimos para o Presbitério da igreja. No corredor central, próximo ao Presbitério, está uma placa redonda no chão que indica que ali está sepultado o bandeirante Fernão Dias Paes Leme e sua esposa, que patrocinaram uma reforma do Mosteiro de São Bento por volta de 1.650.

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Túmulo do bandeirante Fernão Dias e sua esposa (Foto: Tissiana Souza).

O Presbitério é o espaço da Igreja onde fica o clero durante as celebrações religiosas. Mais afrente está o “Coro Monástico”, onde ficam os monges do Coral (Canto Gregoriano) e mais ao fundo fica o altar-mor, protegido por um baldaquino com cúpula de mármore Carrara.

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Presbitério da Igreja do Mosteiro de São Bento (Foto: Tissiana Souza).

Um detalhe ao lado altar-mor são as imagens de São Bento e de sua irmã gêmea, Santa Escolástica, que datam do Séc. XVII.
Ao lado esquerdo do baldaquino fica uma espécie de guarda-chuva e do lado direito há um brasão. Isso significa que a igreja é uma Basílica.
Por falar em Basílica, como destaquei no início do texto, poucos sabem que o nome verdadeiro deste templo é Basílica de Nossa Senhora da Assunção! Só há uma referência à Santa no interior da Basílica: o grande e belo vitral acima do altar-mor. No entorno do vitral estão retratadas figuras femininas do Antigo Testamento e todas elas estão olhando para o centro do vitral, onde está Nossa Senhora da Assunção.

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O vitral dedicado à Nossa Senhora da Assunção (Foto: Tissiana Souza).

O Cristo Crucificado que fica acima do altar-mor não parece ser grande, mas a escultura tem 3,3 m de altura! A medida é uma referência à idade de Cristo – 33 anos. Ao lado da cruz estão João Evangelista e a Virgem Maria. Mas a grande curiosidade são as duas estátuas que estão ajoelhadas e observando Cristo na cruz: são Adão e Eva, reconhecendo que a aliança com Deus foi reatada.
O teto da igreja é inteiramente coberto com pinturas do tipo “caixotões”. Nesta técnica, as pinturas são feitas no chão e depois são colocadas no teto. As pinturas representam passagens da vida de São Bento e há uma representação do Santo junto de Santa Escolástica.

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Teto da nave central, em estilo "caixotões" (Foto: Tissiana Souza).

O grande vitral de São Bento, que fica ao lado direito da Igreja, representa o episódio de sua morte. Abaixo deste vitral está uma outra imagem de Cristo crucificado, do Séc. XVIII. É uma imagem bastante aflitiva, que mostra Jesus agonizando.

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Esta estátua choca pelas feições de Jesus crucificado (Foto: Tissiana Souza).

No fundo da Basílica há mais um grande vitral, que contém a representação dos 4 evangelistas através de seus símbolos. Mateus é o anjo ou o homem alado, pois seu evangelho se inicia com a árvore genealógica de Jesus, mostrando seu lado humano. Marcos é o leão alado, que significa a força e o poder de Jesus como filho de Deus. Lucas é o touro, símbolo do sacrifício, da oferta a Deus. Por último, João é a águia: a liberdade do filho de Deus com relação a outras forças do mundo.
As imagens dos 12 apóstolos são do século XX. Os apóstolos são considerados “a coluna da igreja”, e por este motivo estão posicionados nas colunas entre os arcos da Basílica. Um fato interessante é que São Tomé, conhecido por só acreditar no que vê, está posicionado em frente à Capela do Santíssimo, para que observe o Corpo de Cristo o tempo todo!

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A igreja vista em direção à entrada. No fundo, o vitral dos 4 evangelistas e nas colunas, as imagens dos apóstolos (Foto: Tissiana Souza).

Na parede onde está o Cristo agonizante e na parede onde está a porta de acesso ao Claustro estão desenhadas as tamareiras, que representam simbolicamente o paraíso.
Ao lado esquerdo da Basílica, próximo ao Presbitério, está o órgão alemão de 1.954, com 6 mil tubos!
Na torres, estão 6 sinos da década de 1.910, que variam de 700 kg a 5 toneladas. Cada sino toca em ocasiões distintas.
Ao lado esquerdo da igreja está um altar que não estava no projeto original – o altar do Sagrado Coração de Jesus. Todos os outros altares são simétricos (um em frente ao outro), enquanto este é o único assimétrico. Foi construído na década de 1.920, após conflitos civis na cidade de São Paulo, em agradecimento ao Sagrado Coração por todas as vítimas atendidas no Mosteiro de São Bento terem sobrevivido.
Ao final da visita, o Irmão Carlos nos presenteou com uma pequena medalha de São Bento, para guardarmos de recordação.
Fiquei muito satisfeita com a visita guiada! Se eu tivesse ido à igreja e somente dado uma volta em seu interior, jamais descobriria tantas coisas a seu respeito! Visita mais que recomendada! 

Nota: a Basílica não pode ter o interior fotografado e fui autorizada a tirar fotos porque estava na visita guiada. Muitas pessoas desobedecem a ordem, que está fixada na entrada da igreja.

 4. LOJA DA PADARIA DO MOSTEIRO:

 Ao lado esquerdo da entrada da Basílica está a lojinha da Padaria do Mosteiro de São Bento, onde são vendidos bolos, biscoitos, doces, etc. Comprei um pão-de-mel recheado de geleia de damasco que é uma delícia! Tem gostinho de doce caseiro! Consultando o site da Padaria do Mosteiro (link nas informações), vi que é possível comprar todos os produtos online. Também há serviço delivery.

 5. CANTO GREGORIANO:

 O Mosteiro de São Bento de São Paulo também é muito conhecido pelo coral de Canto Gregoriano. As missas de segunda a sexta-feira das 07:00 da manhã, sábado às 06:00 da manhã e no domingo às 10:00 da manhã têm Canto Gregoriano.
Todo último sábado do mês há uma aula de Canto Gregoriano aberta gratuitamente a todos que se interessarem, no auditório da Faculdade de Filosofia, das 09:30 às 11:30 da manhã. Não é necessário ter conhecimentos musicais.

Endereço

Largo de São Bento, Centro, São Paulo - SP, CEP 01029-010.

Preço para o ano de 2016

Gratuito

Horário

Visitas Guiadas

Terças e quintas-feiras às 14:00 horas

Missas

De segunda a sexta-feira, às 07:00, 13:00 e 18:00 horas
Sábado, às 06:00 horas
Domingo, às 08:30 e 10:00.

Horários de funcionamento da Basílica

Segunda, terça, quarta e sexta-feira, das 06:00 ao término da missa das 18:00 horas.
Quinta-feira, das 06:00 às 08:00 horas e das 13:00 em diante.
Sábado e domingo, das 06:00 às 12:00 e das 16:00 às 19:30 horas.

Para mais informações

Mosteiro de São Bento de São Paulo:
http://mosteiro.org.br/

Padaria do Mosteiro:
http://padariadomosteiro.com.br/Home.php

Cidade de São Paulo - Site oficial de Turismo da Cidade de São Paulo:
http://www.cidadedesaopaulo.com/sp

Mapa de Transporte Metropolitano de São Paulo:
http://www.metro.sp.gov.br/pdf/mapa-da-rede-metro.pdf

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