Giro Modernista USP: conhecendo Sampa por uma nova visão!

1. O PROGRAMA GIRO CULTURAL USP:

A USP – Universidade de São Paulo – apresenta um programa aberto a toda a população chamado “Giro Cultural USP”.

Este programa é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP, com passeios GRATUITOS que têm como finalidade “divulgar o patrimônio arquitetônico, artístico e cultural da maior universidade da América Latina” (Fonte: Folder – Giro Cultural).

O Giro Cultural apresenta 4 roteiros com visitas monitoradas, sendo 3 deles dentro da Cidade Universitária da USP (no Bairro do Butantã, em São Paulo) e 1 roteiro fora da Cidade Universitária:

-Acervo Científico - Museu Oceanográfico, Museu de Anatomia Veterinária e Museu de Geociências;

-Acervo Cultural - Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) e Paço das Artes;

-Vista Panorâmica: um passeio pelo campus – visita pela Cidade Universitária;

-A USP e a São Paulo Modernista – Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga) / Parque da Independência, Theatro Municipal de São Paulo e Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP).

Para mais informações sobre os roteiros, acesse o link:
http://prceu.usp.br/girocultural/

2. ROTEIRO “A USP E A SÃO PAULO MODERNISTA” (GIRO MODERNISTA USP):

-O roteiro “A USP E A SÃO PAULO MODERNISTA” ocorre todos os sábados, às 10 horas. Este é o único roteiro fora da Cidade Universitária.

-As inscrições são feitas link de formulário disponível no perfil do instagram do Giro Modernista: https://www.instagram.com/giromodernistausp/.

-O ponto de encontro é a estação de metrô ALTO DO IPIRANGA (Linha 2 – Verde). É só passar pela catraca e você encontrará os monitores de colete vermelho;

-Chegar com antecedência de 15 a 20 minutos;

-Caso você resolva fazer o tour de última hora, é possível dar o seu nome no local e aguardar na lista de espera. A preferência é por ordem de chegada. Caso ocorram desistências ou o ônibus tenha lugares sobrando, a participação poderá ser confirmada;

-Dicas: levar protetor solar, boné, usar roupas e calçados confortáveis. Nos dias de chuva, são disponibilizadas capas para os participantes;

-É dado um lanchinho (suco, barra de cereal e bolacha) na hora do almoço, mas aconselho a levar mais alguma coisinha para "forrar" o estômago;

-O ônibus é equipado com uma geladeira onde você pode pegar água, mas se quiser, também pode levar uma garrafinha;

-Duração: aproximadamente 4 horas.

3. O PASSEIO:

O passeio começa com uma apresentação individual ainda na estação de metrô. Fizemos uma roda e cada pessoa disse seu nome, profissão, cidade ou bairro onde mora, etc. E o mais legal foi ter pessoas de todas as idades, com diferentes formações universitárias e de diferentes cidades! Ah, e tinha gente que estava no passeio pela 2ª vez!

Foram 4 monitores no passeio: Nadiana, Sara, Eduardo e Camilo. Quem conduziu o ônibus foi o motorista Carlos.

Os monitores dizem que “a cidade é como um filme que passa em nossa janela”. Então, devemos observar as mudanças que vão passando pelos nossos olhos!

Durante o trajeto entre a estação do metrô e nossa 1ª parada, os monitores deram uma introdução sobre o tema do passeio: o MODERNISMO!

O Modernismo brasileiro é composto por dois períodos. A primeira etapa, dos anos de 1.920, foi influenciado pela Semana de Arte Moderna de 1.922, que buscava a construção de uma identidade antropofágica (nacionalista). O segundo período é o modernismo da década de 1.950, que exaltou a arquitetura brasileira, de construção universal e mais objetiva. 

Na música, o modernismo brasileiro tem como um de seus grandes expoentes o compositor Heitor Villa Lobos. E no ônibus escutamos “Lundú da Marquesa de Santos”, de 1.938. Se você quiser conhecer a música, é só clicar aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=mic7Y7N0Ag4

-​1ª Parada – Museu Paulista (Museu do Ipiranga) e Parque da Independência:

Eu adoro o Parque da Independência! Para mim, é um dos lugares mais bonitos de São Paulo e um dos meus lugares prediletos na cidade! Conhecer mais sobre o Museu do Ipiranga (com previsão de reabertura para 2.022) e sobre o parque foi ótimo!

Nosso monitor Camilo contou que o Museu Paulista não foi pensado para ser um museu. O prédio, na realidade, foi projetado para ser um grande Monumento à Independência, sem portas e janelas!

A ideia do monumento é de 1.882, ainda no Império, porém, o edifício foi entregue em 1.890, um ano depois da Proclamação da República. Foi então que a construção deixou de ter sua função inicial, já que o Império não existia mais!

Até 1.915, o local abrigou o Museu de História Natural, com um acervo formado por fósseis, itens de botânica e, por mais estranho que pareça, peças indígenas. 

parque da independência

O Museu Paulista, também conhecido como Museu do Ipiranga (Foto: Tissiana Souza).

Mas por que o prédio do Museu Paulista está no roteiro, se o modernismo brasileiro é da década de 1.920? Porque para a época, o prédio era considerado totalmente moderno e inovador por ser feito de tijolos, já que a cidade de São Paulo tinha edificações basicamente feitas em taipas de pilão.

O dinheiro que bancou a construção do monumento vinha da economia do café. O projeto foi modificado ao longo dos anos, perdeu importância e inclusive, ficou inacabado. Um dos exemplos da falta de acabamento são os pedestais dos dois lados das escadarias da entrada principal do museu, onde deveriam haver estátuas.

O Jardim, de 1.909, apresenta um estilo europeu, de influência francesa, apresentando como característica principal a simetria. É um espaço voltado à contemplação e não de interação com a natureza.

Para o 1º Centenário da Independência, o jardim foi rebaixado, para dar maior destaque ao prédio do Museu.

parque da independência

O Jardim francês e ao fundo, o Parque da Independência (Foto: Tissiana Souza).

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Já no ônibus, a caminho da segunda parada do passeio, passamos em frente ao Museu de Zoologia da USP, o primeiro prédio da cidade que foi projetado especificamente para ser um museu.

Passamos também em frente ao Parque Dom Pedro, inaugurado no primeiro centenário da Independência, ao Palácio das Indústrias (atual Museu Catavento Cultural e Educacional), ao Mercado Municipal (Mercadão), à Praça da República (onde ocorriam as touradas da cidade), e adentramos o “Centro Novo”, com edifícios das décadas de 1.950, 60 e 70, onde os nossos monitores destacaram o Edifício Montreal, projetado por Oscar Niemeyer.

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-​2ª Parada - Theatro Municipal:

Nossa guia Jéssica, que trabalha no Theatro Municipal, nos conduziu nesta parte do passeio.

Pela 1ª vez estive no Theatro Municipal, e fiquei encantada com o local! É uma joia, uma verdadeira preciosidade!

Nossa monitora nos contou que o Theatro foi construído entre 1.903 e 1.911, em um momento de transição da cidade de São Paulo para um período moderno.

O Theatro foi pensado para ser uma casa de ópera, tal como a Ópera de Paris, frequentada pela alta sociedade paulistana, formada pelas famílias dos barões do café.

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O belo Theatro Municipal de São Paulo! (Foto: Tissiana Souza).

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Salão de entrada do Theatro Municipal (Foto: Tissiana Souza).

A construção do Theatro marcava a segregação social da cidade. Poucas pessoas tinham poder aquisitivo suficiente para comprar um ingresso, e o Theatro despertou tanta curiosidade na população que ficou aberto durante 1 semana para que aqueles não tinham dinheiro pudessem conhecer seu interior.

Passamos pelo antigo Salão Nobre, que era o salão de bailes de carnaval! O destaque são os vitrais, os espelhos, os detalhes dourados e as pinturas que remetem ao teatro! Lindo demais!

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Salão Nobre do Theatro Municipal de São Paulo (Foto: Tissiana Souza).

Nos dirigimos para a belíssima plateia, que tem o formato de ferradura, para que a acústica seja excelente! A plateia apresenta cinco anéis distintos.

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A plateia do Theatro Municipal (Foto: Tissiana Souza).

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Plateia do Theatro Municipal (Foto: Tissiana Souza).

O principal evento do Modernismo brasileiro ocorreu no Theatro Municipal – a Semana de Arte Moderna de 1.922 – realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1.922 – na qual jovens artistas buscavam uma identidade brasileira nas artes. Entre os nomes que estiveram na semana, destacam-se Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Emiliano Di Cavalcanti, Heitor Villa-Lobos, e muitos outros!

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Mais uma vez percorrendo a cidade e observando-a da janela do ônibus, passamos por outras edificações importantes para o modernismo brasileiro, como o Edifício Copan e o Edifício Cinderela.

Rumamos para o Parque do Ibirapuera, inaugurado no 4º Centenário da Cidade de São Paulo, onde está a última parada do nosso passeio.

O arquiteto Oscar Niemeyer, um dos principais ícones do modernismo brasileiro, foi responsável pelas instalações do parque – O Museu Afro Brasil (antigo Palácio das Nações), o Prédio da Bienal (antigo Palácio das Indústrias), OCA (antigo Palácio das Artes), Marquise, o Palácio dos Estados (desocupado) e Museu de Arte Contemporânea da USP (antigo Palácio da Agricultura). Todos esses edifícios foram tombados pelo IPHAN em maio de 2016.

As décadas de 1.950 e 1.960 foram o auge do Modernismo brasileiro. Em São Paulo, o ponto máximo do Modernismo foi o Ibirapuera, e para o Brasil, a construção de Brasília.

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3ª Parada – Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP):

O MAC-USP está instalado desde o ano de 2013 no antigo prédio do Detran, ainda dentro dos limites do Parque Ibirapuera. 

Este prédio representa o modernismo dos anos 50, com formas objetivas, futuristas e retilíneas.

Ao contrário do Theatro Municipal, que é cheio de detalhes, o prédio do MAC apresenta ausência de ornamentos, que está ligado com a estrutura e a função da construção.

O vão livre, no mezanino do prédio, permite um espaço amplo de uso não específico, o que dá a possibilidade de criar usos distintos para este espaço.

Nós não visitamos a coleção do museu. Nós seguimos para o último andar, para apreciar a vista panorâmica do topo do prédio! 

A vista, por sinal, é incrível! É possível ver o Parque do Ibirapuera, o Obelisco, o Instituto Biológico com o maior cafezal urbano do Brasil e do mundo (1.600 pés de café)! O contraste do verde com o concreto causa uma percepção única aos nossos olhos! A cidade se perde pelo horizonte!

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A vista do terraço do MAC-USP! São Paulo é mesmo apaixonante! (Foto: Tissiana Souza)

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Vista do Parque Ibirapuera. No centro da foto está o Obelisco (Foto: Tissiana Souza).

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Para aqueles que procuram um passeio cultural e que busca um novo olhar sobre São Paulo, indico muito o Giro Modernista! É um tour que nos leva a uma nova perspectiva sobre a cidade, suas construções, e ajuda a entender como a cidade mudou ao longo do século XX! Você vai se surpreender!

Preço para o ano de 2017

Gratuito

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