Cidades históricas de SE: São Cristóvão e Laranjeiras

O estado de Sergipe apresenta um rico patrimônio cultural, com destaque para duas cidades históricas: São Cristóvão e Laranjeiras.
Encontramos em nossas pesquisas para a viagem a Sergipe muitas referências a estas cidades e decidimos incluir um passeio por elas no nosso roteiro.
Alugamos um carro em Aracaju, ligamos o GPS do Google Maps, pegamos a estrada e fomos conhecer estas duas cidadezinhas tão citadas por todos!
Saindo de Aracaju, achamos que há poucas placas de indicação para São Cristóvão. Somente aparecem placas quando praticamente entramos na rodovia SE-065 (Rodovia João Bebe Água) em sentido a São Cristóvão. A pista é simples e ruim, mas a viagem é rápida, pois são apenas 23 km de Aracaju.

1. SÃO CRISTÓVÃO – PATRIMÔNIO DA UNESCO:

Ao chegar em São Cristóvão, não há muito segredo. Há placas indicando para o Centro Histórico, que fica na parte alta da cidade.
São Cristóvão é a quarta cidade mais antiga do Brasil, com fundação em 1 Janeiro de 1590. Foi a primeira capital de Sergipe, até o ano de 1855, quando a sede foi transferida para Aracaju (Fonte: Prefeitura Municipal de São Cristóvão). Atualmente, tem uma população estimada de 86.000 habitantes (Fonte: IBGE).
A Praça São Francisco, datada dos séculos XVI e XVII, é o coração do centro histórico e Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde o ano de 2010. A construção da praça ocorreu no período em que Portugal e Espanha eram regidos por uma mesma coroa – reinados de Felipe II e Felipe III, entre 1580 e 1640 - apresentando uma forte influência da arquitetura espanhola. Além disto, o conjunto arquitetônico de São Cristóvão é tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ligado ao Governo Federal) desde 1967 (Fonte: IPHAN).
Segundo o IPHAN, a Praça de São Francisco segue o modelo de “Praça Maior” típico de cidades hispânicas, porém empregado sobre o padrão urbano português típico de cidades coloniais tropicais.

 

A Praça São Francisco, Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO (Foto: Tissiana Souza).


Nesta praça está o Museu de Arte Sacra, a Igreja de São Francisco, a Igreja da Misericórdia e a antiga Santa Casa de Misericórdia, o Museu Histórico de Sergipe e ainda um conjunto de residências dos séculos XVIII e XIX.
Iniciamos pelo Museu Histórico de Sergipe, inaugurado em 05 de março de 1960, localizado no antigo Palácio Provincial (do Século XVIII). Fizemos uma visita guiada com os monitores.

 

Fachada do Museu Histórico de Sergipe (Foto: Tissiana Souza).


No primeiro andar, logo na entrada, temos o documento da UNESCO reconhecendo a Praça de São Francisco como Patrimônio da Humanidade. Destaque também para a belíssima pintura da Praça em uma das salas do primeiro andar. Na parte externa do museu, estão expostos canhões antigos que foram encontrados no rio São Francisco.

 

Pintura da Praça São Francisco no Museu Histórico de Sergipe (Foto: Tissiana Souza).

 

Escadarias do Museu Histórico de Sergipe (Foto: Tissiana Souza).


No segundo andar, que não pode ser fotografado e no qual precisamos andar descalços, ocorrem exposições temporárias, além do acervo do museu que inclui alguns objetos roubados e que foram recuperados posteriormente. Móveis dos séculos XIX representam como era a vida do Governador quando residia no Palácio. Bustos das principais personalidades sergipanas também estão em exposição. Já o brasão de Sergipe revela a passagem do estado para a modernidade (o voo do balão) e os produtos agrícolas que geravam riqueza na época.
Na última sala, o destaque é uma bela pintura no teto descoberta durante as restaurações do museu e o lindíssimo quadro “Peri e Ceci” (1882), do artista sergipano Horário Hora, inspirado no romance “O Guarani”, de José de Alencar. O Museu Histórico de Sergipe (MHS) abriga o maior acervo sobre este artista sergipano, representante do romantismo brasileiro nas artes plásticas (Fonte: Blog do Museu Histórico de Sergipe).
Depois da finalizar a visita no MHS, corremos para o Museu de Arte Sacra, do outro lado da Praça de São Francisco. Fomos a São Cristóvão em um domingo, dia em que os museus fecham às 13:00 horas, e fizemos o possível para conseguir visitar os dois.

 

Ao fundo está o Museu de Arte Sacra e a Igreja de São Francisco (Foto: Matheus Sabino).


O Museu de Arte Sacra, inaugurado em 1974, é constituído por mais de 500 peças catalogadas, como altares, imagens de santos e objetos religiosos distribuídos por seus dois andares. É um dos principais acervos de arte sacra do Brasil.
Nada pode ser fotografado, por isto todos os pertences ficam no guarda-volumes. O museu também conta com visita guiada por monitores.
O prédio do museu é o antigo Convento de São Francisco, erguido a partir de 1693. Além disto, também integra o prédio a Igreja de São Francisco.
O que certamente chama mais a atenção durante a visita é a Capela da Ordem Terceira, com altares em detalhes de ouro e uma pintura espetacular no teto, que ficamos observando durante um longo tempo! A Capela é conectada diretamente com a Igreja de São Francisco, porém há um vidro que permite a visão parcial, mas não a passagem para a Igreja.
Visitamos também a antiga Santa Casa de Misericórdia e Igreja da Misericórdia, erguidas no século XVII e localizadas ao lado do MHS. De domingo, o local funciona até as 17:00 horas e tem uma pequena cantina, onde almoçamos torta de frango. Atualmente, no local funciona uma hospedaria. Pudemos visitar a Igreja, que é bastante simples e ao mesmo tempo bonita. Há ainda um jardim interno e uma gruta dedicada a Nossa Senhora de Fátima.

 

Prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia de São Cristóvão e a Igreja da Misericórdia (Foto: Tissiana Souza).

 

Igreja da Misericórda, em São Cristóvão (Foto: Tissiana Souza).

 

Jardim interno da antiga Santa Casa de Misericórdia (Foto: Tissiana Souza).


Aqui compramos bricelets, uma bolachinha crocante feita pelas irmãs do Ordem da Imaculada Conceição. Os bricelets, com seu sabor suave de laranja, são uma tradição da cidade. Um pacote com 5 bolachinhas custa R$3,00.
Saímos pela cidade, caminhando pela rua Coronel Erondino Prado. As casas de estilo colonial impressionam pelas portas e janelas coloridas. O calçamento feito de pedras é algo faz lembrar muito as cidadezinhas de Portugal. Alguns grandes sobrados se destacam entre os casarios de 1 andar.

 

Sobrado em estilo colonial em São Cristóvão (Foto: Tissiana Souza).

 

Casas típicas de São Cristóvão, com janelas e portas na calçada (Foto: Tissiana Souza).


Chegamos até a Praça Getúlio Vargas, onde está a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória. O IPHAN afirma que foi a partir deste ponto que se formou a cidade alta. Infelizmente, a igreja estava fechada. Erguida no século XVII, tem cerca de 400 anos de história, sendo considerada a igreja mais antiga do estado de Sergipe.

 

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória, a igreja mais antiga de Sergipe (Foto: Tissiana Souza).


Seguimos pela rua Tobias Barreto até chegar à Praça do Carmo, onde estão a Igreja e o Convento de Nossa Senhora do Carmo (séculos XVII e XVIII), onde irmã Dulce ficou por alguns meses em 1933, e a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (século XVIII). As igrejas estão situadas uma ao lado da outra, e o monitor do Museu Histórico de Sergipe explicou que a Igreja do Carmo, que tem a fachada maior, era utilizada pelas famílias brancas e poderosas da cidade, enquanto os escravos frequentavam a igreja menor.

 

As igrejas de São Cristóvão lado a lado! A de fachada menor, a igreja dos negros e a de fachada maior, para os senhores brancos (Foto: Tissiana Souza).


O Convento é aberto à visitação, porém, no domingo fechou às 13:00 horas e não conseguimos conhecer.
Continuamos caminhando pelo Largo Coronel Siqueira e chegamos à Igreja de Nossa Senhora do Amparo. Pegamos a ruazinha ao seu lado, Mamede F. Dantas, que faz uma pequena curva à direita, seguimos por ela e saímos novamente na Praça São Francisco.
Fomos para Laranjeiras, pela SE-464 e depois pela BR-101. A distância entre as cidades é de 34 km. A BR-101 é uma rodovia duplicada e em boas condições. Atente para os radares.

2. LARANJEIRAS – PATRIMÔNIO BRASILEIRO:

Laranjeiras, localizada 20 km ao Norte de Aracaju, tem seu conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico tombado pelo IPHAN desde 1966. Apresenta casarios do século XIX e um conjunto de igrejas barrocas do século XVIII, além de ter sido o lugar do primeiro porto de Sergipe. É a segunda cidade mais antiga do Estado, com fundação no ano de 1605 (Fonte: IPHAN).
Infelizmente, tudo estava fechado no domingo à tarde em Laranjeiras e a cidade estava completamente vazia. Isto prejudicou nossa visita à cidade! Vimos somente as igrejas por fora e andamos um pouco por suas ruas.
Começamos nossa caminhada pela Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, da segunda metade do século XVIII. Foi a primeira Igreja do Brasil dedicada ao Sagrado Coração de Jesus (Fonte: Prefeitura de Laranjeiras).

 

A Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus em Larajneiras (Foto: Tissiana Souza).


Descemos a rua da Independência até um velho casarão abandonado, e viramos à direita na Rua Dr. Getúlio Vargas, onde está localizada a Câmara Municipal de Laranjeiras. É um trecho de rua onde não circulam carros, lembrando algumas ruazinhas de cidades portuguesas.

 

A Rua Dr. Getúlio Vargas, em Laranjeiras (Foto: Tissiana Souza).

 

Ao final da rua está a Praça de São Oliveira, onde fica o Mercado Municipal, prédio do Século XIX onde todos os sábados funciona a feira local (Fonte: Prefeitura de Laranjeiras) e um prédio da Universidade Federal de Sergipe, o Trapiche (século XIX), que servia como depósito da produção de açúcar dos engenhos e foi também ponto de desembarque e alojamento de escravos (Fonte: Prefeitura de Laranjeiras).

 

O Mercado Municipal de Laranjeiras (Foto: Tissiana Souza).


Resolvemos voltar até a Igreja Matriz e pegarmos o carro para subirmos a ladeira em direção à Igreja do Senhor do Bonfim, do século XIX. Aqui tivemos uma visão privilegiada da cidade. Uma curiosidade é que no topo do morro, atrás da Igreja, fica o cemitério da Irmandade do Bonfim (Fonte: Prefeitura de Laranjeiras).

 

A Igreja do Senhor do Bonfim, de onde é possível ver a cidade do alto! (Foto: Tissiana Souza).


Descemos e passamos pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, construída por escravos no século XIX (Fonte: Prefeitura de Laranjeiras). Depois seguimos para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Pardos, também do século XIX, que recebeu uma visita de D. Pedro II durante sua passagem pelo Sergipe (Fonte: Prefeitura de Laranjeiras).
Seguimos para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, de 1731, construída pelos jesuítas. Esta igreja está situada fora da cidade com acesso pela Rodovia Senador Valter Franco. Localizada no alto de uma colina, e é uma das obras-primas da arquitetura colonial brasileira e provavelmente uma das últimas construções dos jesuítas no Brasil, antes de sua expulsão em 1759 (Fonte: Prefeitura de Laranjeiras). No Museu Histórico de Sergipe (em São Cristóvão) há um quadro desta igreja. A porteira estava fechada e só conseguimos ver a Igreja de longe.
Por último, passamos pelo Alto do Bom Jesus, onde está a Igreja Bom Jesus dos Navegantes (Séc. XX), onde tivemos mais uma visão privilegiada da cidade.

 

Igreja do Bom Jesus dos Navegantes (Foto: Tissiana Souza).

 

A cidade de Laranjeiras, vista do Alto do Bom Jesus (Foto: Tissiana Souza).


Finalizamos assim nossa viagem pelas cidades históricas de Sergipe, retornando a Aracaju.

Horário

Museus em São Cristóvão
De terça-feira a sábado das 10:00 às 16:00 horas.
Domingo, das 10:00 às 13:00 horas.

Preços para o ano de 2016

Museu Histórico de Sergipe - São Cristóvão
R$5,00 (inteira)

Museu de Arte Sacra - São Cristóvão
R$5,00 (inteira)

Bricelets - embalagem com 5 biscoitos
R$3,00

Para mais informações

Blog do Museu Histórico de Sergipe:
http://museuhsergipe.blogspot.com.br/

Turismo - Laranjeiras:
http://www.laranjeiras.se.gov.br/turismo-historico.asp

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