Paraty: walk tour pelo centro histórico

Ah, Paraty! É realmente muito fácil se apaixonar por essa cidade! Um lindo e preservado patrimônio histórico nacional de arquitetura colonial única e belas praias de água cristalina e areia limpa!

Caminhar pelas ruas de pedras onde os carros não passam é uma experiência única! Melhor ainda, é conhecer todas as curiosidades sobre as construções e ruazinhas através de um Walk Tour!

1. COMO CHEGAR A PARATY:

Paraty está localizada no extremo oeste do litoral do Estado do Rio de Janeiro, a cerca de 300 km da cidade de São Paulo e a aproximadamente 250 km da cidade do Rio de Janeiro.

Saindo da capital paulista, seguimos pela Rodovia Ayrton Senna (SP-070) e depois pela Rodovia Governador Carvalho Pinto (SP-070) até São José dos Campos, onde acessamos a Rodovia dos Tamoios (SP-099) até a cidade de Caraguatatuba.

Em Caraguatatuba, pegamos a BR-101 (Rodovia Rio-Santos) em sentido à cidade de Ubatuba e ao Estado do Rio de Janeiro, até chegarmos em Paraty.

2. WALK TOUR:

Nosso guia Amauri contou muitas histórias interessantes sobre a cidade! Começamos o passeio próximo ao Cais de Paraty e nossa primeira parada foi na Praça da Bandeira, onde ele iniciou as explicações.

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Cais de Paraty e seus muitos barcos! (Foto: Tissiana Souza).

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Praça da Bandeira e ao fundo, o clássico casario colonial de Paraty (Foto: Tissiana Souza).

-Ocupação:

A região onde fica a cidade de Paraty tem ocupação anterior à chegada dos colonizadores. Os índios guaianases foram os primeiros habitantes da região, que inclusive, já tinham aberto uma trilha que ultrapassava as vertentes inclinadas da Serra da Bocaina (nome local para um trecho da Serra do Mar), conectando o litoral com o Vale do Paraíba (Taubaté-Pindamonhangaba-Guaratinguetá).

Foi essa trilha que deu origem ao Caminho Velho do ouro (Estrada Real), já que o povoado de Paraty era o único local onde era possível transpor a Serra do Mar e seguir em direção aos sertões das minas de ouro (Fonte: IPHAN).

-Fundação de Paraty:

A fundação de Paraty ocorreu em 1.530 e as primeiras construções ficavam no Morro do Forte, que antigamente era chamado de Morro da Vila Velha. O povoado era devoto de São Roque.

A parte plana, onde hoje está o centro histórico, começou a ser ocupada após a construção da primeira capela dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, na margem direita do rio Perequê-Açu, próximo ao mar (Fonte: IPHAN).

Paraty era considerada uma “cidade muralha”, pela presença das montanhas da Serra da Bocaina que cercam a cidade.

Paraty é também uma das poucas cidades históricas brasileiras que ainda estão voltadas para o mar. Isso é uma consequência positiva do tombamento da cidade como patrimônio histórico nacional pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Paraty é considerada pela UNESCO como "o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso".

-As construções e as ruas:

O conjunto arquitetônico de Paraty, segundo o IPHAN, data principalmente dos séculos XVIII e XIX. É caracterizado pela continuidade das construções, que estão ligadas umas às outras, ruas mais ou menos estreitas e ausência de arvores.

Paraty sempre foi um entreposto comercial, ou seja, ao longo dos ciclos históricos do ouro, da cana-de-açúcar e do café, mercadorias e escravos passavam pela cidade. O Porto escoava o ouro vindo de Minas Gerais, e depois, o café do Vale do Paraíba.

Paraty foi basicamente planejada para ser uma cidade comercial, onde as famílias tinham seu comércio/armazéns na parte da frente das construções. As residências ficavam na parte do fundo. Por isso, é quase unânime as portas voltadas para as ruas, e dificilmente haverá janelas.

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As características arquitetônicas de Paraty são bem visualizadas nesta foto, mas veja que uma boa parte das casas têm janelas na rua! (Foto: Tissiana Souza).

As ruas foram organizadas em formato de tabuleiro de xadrez, com 7 ruas se direcionando do nascente para o poente e 6 ruas em sentido de norte para o sul.

Andar por Paraty de chinelo não é uma tarefa fácil! O piso é irregular e inclinado para o centro da rua. De onde vieram essas pedras e por qual motivo as ruas são inclinadas?

Nosso guia explicou que os portugueses desenvolveram um sistema para que as caravelas não afundassem na travessia do Oceano Atlântico. Esse sistema consistia em colocar pedras nos fundos das naus.

Quando chegavam ao Brasil, as pedras eram tiradas e substituídas pelo ouro, que era levado para Portugal. As pedras que formam o calçamento “pé de moleque” de Paraty vieram no fundo desses navios! (Fiquei pensando na quantidade de ouro transportada para Portugal...)

Já a inclinação do calçamento para o centro da rua tem uma explicação higiênica: antigamente não existia sistema de esgoto. As pessoas simplesmente abriam as janelas e as portas e jogavam os restos das suas atividades fisiológicas na rua! Junte-se a isto os dejetos dos animais. A inclinação permite que a água da maré adentre a cidade e lave os calçamentos. Na época, consequentemente, a sujeira era levada toda para o mar.

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As ruas do centro histórico apresentam sempre uma leve inclinação para o meio (Foto: Tissiana Souza).

Hoje em dia as pessoas não jogam mais os dejetos humanos pelas portas, mas o sistema de entrada de água do mar durante a maré alta ainda funciona e “alaga” por algumas horas as ruazinhas históricas três vezes ao dia.

Outro fato curioso está relacionado com as placas que mostram os nomes das ruas. Quando você observar uma placa branca com letras azuis, verá o nome original e mais antigo da rua. Placas azuis com letras brancas contém os atuais nomes das ruas (há muitas ruas 2 nomes). A única rua assinalada por uma placa com letras vermelhas é a Rua do Fogo e mais afrente você saberá o porquê!

Feitas as considerações sobre as curiosidades da cidade, hora de falar sobre os principais pontos do passeio.

Após sairmos da Praça da Bandeira, seguimos para o cartão postal de Paraty, a Igreja de Santa Rita de Cássia, que fica no Largo de Santa Rita, próximo ao Cais de Paraty.

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Igreja de Santa Rita de Cássia (Foto: Tissiana Souza).

De estilo barroco, esta é a construção religiosa mais antiga da cidade, datada de 1.722 (Fonte: Guia Bei Unibanco).

Atualmente, a igreja é o Museu de Arte Sacra de Paraty, criado em 1.973 (Fonte: IPHAN). Festividades religiosas ocorrem somente na semana de comemoração ao dia de Santa Rita.

Se você ficar de frente com a fachada da Igreja, verá do seu lado esquerdo o prédio da Antiga Cadeia Pública, que atualmente é uma biblioteca.

Ao lado direito da Igreja de Santa Rita há uma travessa bem apertadinha, e no grande sobrado de esquina haverá uma placa desgastada com letras vermelhas, onde ficava escrito Rua do Fogo. Esta rua fica pertinho do cais e era o local onde ficavam os antigos prostíbulos da cidade. O nome é bem apropriado!

Seguimos pela Rua de Santa Rita, em sentido oposto ao mar, e viramos à direita na Rua do Comércio. Paramos em frente ao Sobrado dos Bonecos, uma construção do século XIX. O nome deriva da existência de 4 bonecos que ficavam no beiral do sobrado (Fonte: paratyvirtual.com.br).

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Sobrado dos Bonecos (Foto: Tissiana Souza).

As 4 cornetas situadas acima das 4 portas azuis do sobrado são de bronze, e servem para escoar a água das chuvas (Fonte: paratyvirtual.com.br).

Hoje, um dos destaques do sobrado são as telhas brancas com pinturas em azul, de origem portuguesa.

Ainda caminhando pela Rua do Comércio, paramos em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário de São Benedito, datada de 1.725 (Fonte: Guia Bei Unibanco). Essa era a igreja dos negros, portanto, os brancos não podiam entrar. Durante o ciclo do ouro, os negros escondiam o ouro em partes dos seus corpos e levavam para dentro dessa igreja.

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Igreja do Rosário (Foto: Tissiana Souza).

Em frente à Igreja fica o prédio do Paço Municipal, que atualmente é a Câmara Municipal de Paraty. A construção provavelmente é do século XVIII e tinha inicialmente apenas 1 andar. O segundo andar teria sido erguido no século XIX (Fonte: A janela de Paraty).

Seguimos até o cruzamento entre a Rua do Comércio com a Rua da Cadeia, onde é possível ver três esquinas com um revestimento de pedra lavrada formando um triângulo, e o quarto canto sem o revestimento. Quando você encontrar um cruzamento com essas características em Paraty, saiba que isso é um código maçônico.

Quando um maçom chegava em Paraty, ao encontrar esses revestimentos nas paredes, sabia que ali perto haveria uma casa onde morava um membro da maçonaria.

Como Paraty era uma cidade basicamente composta por comerciantes e de pessoas com muito dinheiro, havia muitos maçons.

Segundo o site paraty.com.br, as casas nas cores branco e azul eram de propriedade de maçons, já que o azul-hortência é a cor característica da Maçonaria Simbólica.

Conforme o mesmo site e nosso guia Amauri, os sobrados maçônicos são reconhecidos pelas simbologias expressas nas fachadas.

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Sobrado com símbolos marcônicos, incluindo o o revestimento lateral no canto (Foto: Tissiana Souza).

Outro fato curioso ligado à influência da Maçonaria em Paraty é que na parte antiga há 33 quarteirões, e as plantas das casas pertencentes aos maçons foram feitas na escala 1:33.33. O número 33, ligado à Ordem Filosófica, é muito representativo para os maçons.

Caminhamos pela Rua do Comércio até chegarmos no cruzamento com o Largo da Matriz. Aqui nosso guia iniciou as explicações sobre a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, que teve construção iniciada em 1.787 e demorou 100 anos (isso mesmo!) para ser entregue à comunidade!

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A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios é tão imponente que só mesmo uma câmera GoPro para conseguir capturá-la! (Foto: Matheus Sabino).

A primeira capela dedicada a Nossa Senhora dos Remédios foi construída em 1.646, a mando de Dona Maria Jacóme de Mello, que doou terras para a construção do novo povoado, próximo ao rio Perequê-Açu. Essa capelinha foi demolida em 1.668, e em seu lugar foi construída uma nova igreja, concluída em 1.712.

Esta segunda igreja ficou pequena para a população de Paraty, sendo necessário construir um templo maior, que é este que atualmente observamos.

Como Paraty viveu de ciclos econômicos, por várias vezes as obras da Igreja Matriz foram paralisadas. Ao mesmo tempo, a Matriz precisava ser um templo grande e com muito destaque para mostrar o poder econômico da cidade.

A igreja foi terminada com doações de dinheiro e de escravos de Dona Geralda Maria da Silva e foi entregue à população (branca e rica de Paraty) em 7 de setembro de 1.873.

Na parte de trás da Igreja é possível ver a interrupção da obra, que deveria ser ainda maior! Existem grandes blocos pontiagudos à mostra, onde as paredes da igreja deveriam ter continuado. A obra precisou ser finalizada pela falta de mão-de-obra escrava e de recursos financeiros, mas há também boatos de que a igreja estava se reclinando para frente, devido ao peso de sua parte frontal.

Saindo da matriz, seguimos pela Rua da Capela para chegarmos até a última igreja do nosso walk tour: a Igreja de Nossa Senhora das Dores, construída no ano de 1.800, com arquitetura colonial muito simples e que era frequentada exclusivamente por mulheres.

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Igreja de Nossa Senhora das Dores, a igreja das mulheres! (Foto: Tissiana Souza).

Localizada em frente ao mar, atualmente a igreja é muito procurada para celebrações de casamentos de pessoas de alto poder aquisitivo.

Saímos da igreja, que fica no cruzamento da Rua da Capela com a Rua Fresca, e seguimos para o Sobrado do Príncipe. Esta construção situada na Rua Fresca, de frente para a baía, pertenceu ao neto da Princesa Isabel, D. João de Orleans e Bragança. O que identifica que o sobrado pertenceu a um membro da família real brasileira é o discretíssimo brasão na parede frontal da residência.

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Sobrado do Príncipe (Foto: Tissiana Souza).

Viramos à direita na Rua Dr. Samuel Costa até chegarmos na esquina com a Rua Dona Geralda. Nesse cruzamento fica a Casa da Cultura Câmara Torre, sobrado de 1.754 e última parada do nosso walktour.

Aconselhamos também que os visitantes conheçam o casario colonial à noite, para ver o movimento de turistas e a iluminação das ruas.

Quem visitar Paraty também verá muitos indígenas vendendo os artesanatos que eles produzem.

3. FORASTEIRANDO:

Fizemos essa viagem para Paraty com os nossos amigos da agência de ecoturismo e turismo de aventura “Forasteiros Viagens”. Essa foi a nossa terceira viagem com os Forasteiros e o Walk Tour estava incluído no pacote.

Quem quiser conhecer o trabalho dos Forasteiros ou viajar com eles, é só acessar a página do Facebook: https://www.facebook.com/forasteirosviagens e ficar ligado nos eventos que eles publicam com as próximas viagens. 

Endereço

Centro de Atendimento ao Turista

Avenida Roberto da Silveira, Centro, em frente à Praça do Chafariz. Paraty - RJ 

Para mais informações

Prefeitura Municipal de Paraty:
http://www.pmparaty.rj.gov.br/

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