Centro Histórico de Diamantina: uma caminhada, muitas descobertas!

Desde o ano de 1.938, o Centro Histórico de Diamantina é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em 1.999, veio um novo tombamento, como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

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Casario colonial de Diamantina (Foto: Tissiana Souza).

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Casario colonial de Diamantina (Foto: Tissiana Souza).

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Ladeira em Diamantina. Ao fundo, a Serra do Cristal (Foto: Tissiana Souza).

O casario histórico, os sobrados, as igrejas, as ruas estreitas de pedras e os becos são um convite a caminhar por Diamantina. É como se voltássemos ao Século XVIII! As coisas só não indicam que o tempo parou porque os carros transitam pelas ruas e porque dentro dos casarios antigos há tecnologia!

Reservar um dia para caminhar por Diamantina e conhecer seus atrativos culturais é como se perder e se encontrar pelas vielas e ladeiras! É um exercício de encantamento! A vontade é de fotografar cada uma das fachadas!

Convido você a andar comigo pelas ruas dessa majestosa cidade histórica do interior de Minas Gerais, que já foi considerada o maior polo mundial de extração de diamantes, no Séc. XVIII.

CIRCUITO A PÉ PELO CENTRO HISTÓRICO DE DIAMANTINA:

Vamos iniciar nossa caminhada pelo coração do Centro Histórico, a Catedral Metropolitana de Santo Antônio, também conhecida como Santo Antônio da Sé ou ainda, como Catedral Metropolitana de Diamantina que fica situada entre a Praça Conselheiro Mata, a Praça da Matriz e a Rua Direita.

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Catedral de Santo Antônio (Foto: Tissiana Souza).

Ao contrário do casario colonial, que data do Séc. XVIII, o templo foi construído no Séc. XX, entre 1.932 e 1.938. Anteriormente, no local, havia outra Igreja, chamada Santo Antônio do Tijuco, de 1.750 (Fonte: Prefeitura de Diamantina). Da antiga igreja restaram os altares laterais de estilo barroco situados próximo ao altar.

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Interior da Catedral Metropolitana (Foto: Tissiana Souza).

A igreja abre todos os dias, das 08:00 às 18:00 horas.

Próximo dali, na Rua Direita, encontra-se o Museu do Diamante, que mostra peças históricas do período entre o Século XVII e XIX, quando Diamantina estava no auge da exploração do diamante. A visita é gratuita e o museu funciona de terça-feira a sábado das 10:00 às 17:00 horas e de domingos e feriados das 09:00 às 13:00 horas.

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Fachada do Museu do Diamante (Foto: Tissiana Souza).

Em frente ao Museu, na Praça Conselheiro Mata, está a Antiga Casa da Intendência. O sobrado construído entre 1.733 e 1.735 era a sede da Intendência dos Diamantes, do governo colonial. O imóvel também já foi Externato (1.860) e Escola Normal (de 1.879 a 1.896) e um grupo escolar a partir de 1.907 (Fonte: Placa Explicativa da Casa da Intendência).

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Antiga Casa da Intendência (Foto: Tissiana Souza).

Siga pela Rua Direita, que depois passará a se chamar Rua Vieira Souto para chegar até a Casa de Chica da Silva, que fica no cruzamento com a Rua do Contrato. No sobrado do Século XVIII, a ex-escrava viveu com o Contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. Atualmente, o imóvel é sede do IPHAN e pode ser visitado gratuitamente de terça-feira a sábado, das 12:00 às 17:00 horas; domingo, das 08:30 às 12:00 horas. Fechado às segundas-feiras.

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Casa de Chica da Silva (Foto: Tissiana Souza).

Siga pela Rua do Contrato e você passará pelo sobrado da Cúria Metropolitana – Arquidiocese de Diamantina.

Cúria Metropolitana (Foto: Tissiana Souza).

Quase em frente à arquidiocese, na esquina da Rua do Contrato com a Rua do Carmo, está a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída entre 1.760 e 1.784. Sua principal característica é a torre, que fica no fundo da construção, e não na sua frente (Fonte: Prefeitura Municipal).

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Igreja do Carmo (Foto: Tissiana Souza).

Suba a Rua do Carmo, que passará a se chamar Rua da Quitanda, para chegar à Biblioteca Antônio Torres, também conhecida como Casa do Muxarabiê, uma construção do Século XVII. O muxarabiê ou muxarabi é um balcão de treliça fechado de origem moura, situado no segundo andar do sobrado. Assim, quem estava dentro da casa poderia observar tudo o que acontecia do lado de fora sem ser avistado. A biblioteca atualmente é administrada pelo IPHAN e o edifício pertence ao Governo Federal desde 1.942, quando foi doado pela Sr.ª Virgínia Neto Aguiar (Fonte: IPHAN). O acervo contém o bibliográfico de Antônio Torres, documentos do antigo Fórum da cidade e outras obras antigas (Fonte: IPHAN).

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Biblioteca Antônio Torres. Reparem, na sacada da esquerda, o muxarabiê (Foto: Tissiana Souza).

Siga pela Rua da Quitanda e novamente você estará na Catedral Metropolitana de Santo Antônio. Vire à direita no Beco Modesto de Almeida e você estará na Praça Barão de Guaicuí, onde fica o Mercado Velho (ou Antigo Mercado Municipal).

Atualmente, o Mercado Municipal é o Centro Cultural David Ribeiro, onde ocorrem feiras de artesanato, onde pessoas se encontram para fazerem exercícios físicos.

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Mercado Velho de Diamantina (Foto: Tissiana Souza).

Originalmente, o Mercado era um rancho que datava de 1.835 e pertencia ao tenente Joaquim Cassimiro Lopes. O Mercado, de fato, foi construído em 1.889 para melhorar a comercialização de produtos em Diamantina (Foto: Prefeitura Municipal).

Um fato interessante é que próximo ao Mercado Velho ainda há um calçamento do tipo "pé-de-moleque" ou "cabeça de negro", quase inexistente nas cidades históricas mineiras. Esse tipo de calçamento é formado por pedras de formato arredondado, enquanto o restante da cidade apresenta ruas e calçadas com paralelepípedos. Outros lugares de Minas Gerais onde os pés-de-moleque podem ser encontrados é no entorno do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, e em algumas ruas de Tiradentes. 

Na Praça Barão de Guaicuí repare que há uma ruazinha com escadarias – é o Beco da Tecla – onde há diversas lojas de artesanato, livraria e restaurantes. Constantemente há pessoas tocando no Beco e barraquinhas vendendo guloseimas.

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Beco da Tecla (Foto: Tissiana Souza).

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Beco da Tecla (Foto: Tissiana Souza).

Vire à esquerda na Rua Campos de Carvalho e faça uma curva suave à esquerda para a Rua do Bonfim.

Na Praça Antônio Eulálio, está o Centro de Atendimento ao Turista, onde é possível obter informações sobre passeios pela cidade e conhecer o artesanato da região na lojinha. A 60 m do Centro de Atendimento está a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, do Séc. XVIII, também conhecida como Capela de Nosso Senhor do Bonfim dos Militares.

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Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, a Igreja dos Militares (Foto: Tissiana Souza).

A visita à Igreja custa R$5,00 e há uma explicação da monitora sobre a história da igreja. Apesar de pequena, tem um lindo altar de madeira e sobre o altar há uma pintura única no teto, que não é encontrada em nenhuma outra igreja da América Portuguesa. É a pintura de 4 sibilas (Délfica, Líbica, Frígia e Tiburtina), que eram consideradas profetisas da mitologia greco-romana. As colunas atrás das sibilas, na verdade, são rostos que observam e julgam as mulheres, pois eram chamadas de bruxas. É uma pintura realmente surpreendente e única, atribuída a Silvério de Almeida Lopes.

Retornando pela Rua do Bonfim e virando à direita na Rua do Amparo, chegamos à Capela Imperial de Nossa Senhora do Amparo, ou simplesmente, Igreja do Amparo de 1.773. Fica a menos de 50 m do Mercado Velho.

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Igreja do Amparo (Foto: Tissiana Souza).

Vamos para a outra parte do Centro Histórico. Partindo da Catedral Metropolitana, e passando pelo Museu do Diamante, seguimos pela Rua Macau de Baixo e pela Rua Macau de Cima até chegarmos à estátua de Juscelino Kubitschek, inaugurada em 21 de abril de 2.006, um dos pontos da cidade onde sempre há muita gente!

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Estátua de Juscelino, na Praça JK (Foto: Tissiana Souza).

Em frente à estátua, está o belíssimo Edifício do Fórum, do Século XVIII. E, bem afrente do Fórum, está a Igreja de São Francisco de Assis, de 1.775.

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Edifício do Fórum (Foto: Tissiana Souza).

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Igreja de São Francisco (Foto: Tissiana Souza).

Subindo a grande ladeira da Rua São Francisco por 215 m, chegamos ao número 241, uma casa branca de janelas azuis: é a Casa de Juscelino (para saber mais, clique aqui!), onde o ex-presidente do Brasil passou sua infância e adolescência. A entrada custa R$10,00 e o funcionamento da casa-museu é de terça-feira a sábado, das 08:00 às 17:00 horas e aos domingos e feriados, das 08:00 às 13:00 horas.

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A casa da Rua São Francisco, onde cresceu JK (Foto: Tissiana Souza).

Continuando a subida pela Rua São Francisco e depois seguindo pela Rua Antônio Felício dos Santos até o Largo Dom João e pela Praça Sagrado Coração, chegamos a mais um templo religioso de Diamantina: a Basílica do Sagrado Coração de Jesus (1.895-1.890).

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Basílica do Sagrado Coração de Jesus (Foto: Tissiana Souza).

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Interior da Basílica do Sagrado Coração de Jesus (Foto: Tissiana Souza).

Ao final da Praça Sagrado Coração está a Mitra Arquidiocesana de Diamantina, um belo edifício.

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Mitra Arquidiocesana de Diamantina (Foto: Tissiana Souza).

Pensa que acabou? Ainda não! Partindo da Praça JK e seguindo pela Rua Macau do Meio, passamos por uma escadaria que dá acesso à Rua Macau de Cima.

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Escadarias entre as ruas Macau do Meio e Macau de Cima (Foto: Tissiana Souza).

Continue pela Rua Macau do Meio e depois vire à esquerda na Rua da Glória. A ladeira é acentuada! Chegamos à Casa da Glória, que tem como característica a presença de um passadiço que liga dois casarões construídos em épocas diferentes. Acredita-se que o casarão do lado direito da foto tenha sido contruído entre 1.775 e 1.800 por Manuel Viana, marido de D. Josefa Maria da Glória, que morou no casarão até 1.813. É daí que vem o nome "Casa da Glória" (Fonte: IGC - UFMG).

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Passadiços da Casa da Glória: um dos lugares mais conhecidos de Diamantina (Foto: Tissiana Souza).

O Passadiço da Casa da Glória é provavelmente de 1.876, época em que as casas eram ocupadas por um colégio de freiras. Assim, elas podiam transitar entre os edifícios com maior privacidade. Atualmente, a Casa da Glória abriga a Universidade Federal de Minas Gerais.

O Passadiço da Glória foi o símbolo da campanha de Diamantina para concorrer a Patrimônio da Humanidade da UNESCO, em 1.999. 

Se você ainda não está cansado, continue a subir a Rua da Glória, vire à esquerda no Beco das Craveiras (uma ruazinha residencial) para chegar à Rua da Luz. Você verá a Capela Nossa Senhora da Luz, construída para pagar a promessa da portuguesa Dona Tereza de Jesus Perpétua Corte Real, que se salvou do terremoto de Lisboa de 1.755.

Ufa! Uma grande caminhada e descobertas incríveis! A importância do casario colonial de Diamantinha, segundo o IPHAN, está na homogeneidade arquitetônica, na geometria do casario, no estilo quase ininterrupto das construções. As igrejas, inclusive, são contínuas ao casario.

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Imagem do Google Maps mostrando a localização dos pontos descritos no post (Organizado por Tissiana Souza).

Para mais informações

Diamantina - Turismo:
http://diamantina.mg.gov.br/turismo/

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