PETAR – Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira

Sabe quando você vai a um lugar e pergunta a si mesmo: Por que não estive aqui antes?! Pois é, essa pergunta resume tudo sobre esta viagem!
Nós, como paulistas, acabamos de descobrir uma joia dentro do nosso Estado! Ficou claro que não precisamos ir muito longe para conhecer as belezas deste mundo!
Fomos em uma excursão ao PETAR – Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Iporanga) e à Caverna do Diabo (Eldorado), localizados no alto vale do Rio Ribeira de Iguape, no sul do Estado de São Paulo e próximo à divisa com o Estado do Paraná. Nem todos sabem, mas a região do vale do Ribeira é a mais pobre economicamente do Estado de São Paulo, ao mesmo tempo em que apresenta uma vastíssima área natural preservada de Mata Atlântica.

Flor no Petar

Mata Atlântica mostrando suas belezas! (Foto: Tissiana Souza)


Esta excursão foi organizada por um grupo chamado Forasteiros Viagens, que são especialistas em viagens de ecoturismo, aventura e lazer. Decidimos ir com eles pois um amigo nosso já tinha feito algumas viagens com os Forasteiros e tinha indicado o serviço.
Sobre os Forasteiros, só temos elogios! São super organizados, preocupados com segurança, alimentação, bem-estar e diversão de todos os participantes. Não faltou água para levar nas trilhas (o lanche era por nossa conta), fotos feitas por eles, e ajudaram a passar por trechos mais perigosos junto com os guias. E o melhor: ampliamos o nosso círculo de amizades e conhecemos pessoas com vontade de descobrir novos lugares, sem medo de se aventurar ou ficar com frescura para se enfiar no meio do mato!
Nossa hospedagem foi na Pousada Capitão Caverna, na cidade de Iporanga. Junto com a pousada já tínhamos o serviço de monitores (guias) do Núcleo Terra para fazer as trilhas e conhecer as cavernas do PETAR. Lembrando que é obrigatória a contratação de guia credenciado para a visitação do parque e o uso de equipamentos de segurança (capacete com lanterna, disponibilizados pelo Núcleo Terra) para visitação nas cavernas.
Os guias foram muito bons, atenciosos, simpáticos, ajudaram todos nas partes mais difíceis das trilhas. Como nasceram na região, conhecem tudo do local muito bem. Eles têm a vivência do lugar, dão explicações sobre as plantas da Mata Atlântica, dos animais, sabem muito bem sobre a formação das cavernas, ou seja, conhecem cada palmo daquele chão! Além disso, o proprietário do Núcleo Terra também participou de todas as atividades junto com o nosso grupo, ajudando todas as pessoas que tinham dificuldades. 

1. O PETAR – PARQUE ESTADUAL TURÍSTICO DO ALTO RIBEIRA:

Criado em 1958, é um dos Parques mais antigos do Estado de São Paulo com cerca de 35 mil hectares, abrangendo os municípios de Apiaí e Iporanga. Como Parque Estadual, é destinado à proteção e à conservação integral dos recursos naturais. Ou seja, atividades que degradem a paisagem são proibidas no local.
O parque é caracterizado por apresentar uma das áreas de Mata Atlântica mais bem preservadas do Brasil, sendo por este motivo considerado Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.
Dentre as plantas típicas desta região, o Palmito Juçara é uma das espécies vegetais mais importantes, sendo ameaçada de extinção pela extração e comercialização ilegal.
No parque está um dos principais sítios espeleológicos do Brasil, com mais de 300 cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia.
A região apresenta ainda comunidades tradicionais quilombolas, que também podem ser visitadas.
São quatro núcleos (setores) de visitação Santana, Ouro Grosso, Caboclos e Casa de Pedra. Os núcleos foram criados com o objetivo de organizar e controlar o número de visitantes e proteger toda a área do parque.
A visitação das cavernas e outros atrativos tem uma limitação máxima diária de pessoas, devido aos impactos que um alto número de visitas poderia causar ao ambiente.

2. O NÚCLEO OURO GROSSO:

Nossa visitação seria ao Núcleo Santana, porém, com a chuva da noite anterior, as cavernas foram fechadas por questões de segurança.
Fomos então ao Núcleo Ouro Grosso. Inicialmente, fizemos uma trilha rápida pelo meio da mata até chegar nas margens do rio Betari, que deságua no rio Ribeira de Iguape. Conhecemos algumas plantas e um pouco da história do local. Depois esperamos nosso horário para fazer a Trilha das Figueiras e conhecer a Caverna Ouro Grosso.

Rio Betari

Rio Betari (Foto: Tissiana Souza)

-Trilha das Figueiras e Caverna Ouro Grosso: 

A Trilha das Figueiras tem um percurso total de 392m e nível de dificuldade baixo.
Os atrativos da trilha incluem conhecer a cultura local, como o engenho para moer a cana-de-açúcar e a casa de farinha (estrutura de pau a pique típica das comunidades quilombolas), onde vimos como se dava o processo para fazer a farinha de mandioca.

 
Engenho

Engenho. Nosso guia Val explicando o funcionamento. (Foto: Tissiana Souza).

Casa de farinha

Casa de farinha - casa típica de pau a pique. (Foto: Tissiana Souza).


Chegamos na Praça da Figueira, um espaço onde uma linda e majestosa figueira mostra toda a sua beleza e imponência no meio da Mata Atlântica!

Praça da Figueira

Praça da Figueira - mais uma amostra da exuberância da Mata Atlântica. (Foto: Tissiana Souza)


Em seguida, iniciamos uma subida na trilha, passando entre os troncos das árvores, para finalmente chegarmos à entrada da Caverna Ouro GrossoA entrada da caverna é pequena e pode passar despercebida para os desavisados! Por questões de segurança, não entramos com nossas mochilas.

Trilha das Figueiras

Trilha das Figueiras (Foto: Tissiana Souza).

Trilha das Figueiras

Trilha das Figueiras - passagem pelos troncos de árvores. (Foto: Tissiana Souza)


Capacetes são essenciais, pois a entrada da caverna é bastante estreita! Cuidado também para não bater as costas nas rochas!
Alguns animais típicos de ambientes de cavernas podem ser vistos neste local, como aranhas e grilos, que são adaptados à ausência de luz. Não se preocupe, pois não representam perigo.
Depois de estarmos na caverna o guia explicou sobre a formação dos espeleotemasestalagmites, estalactites, colunas, franjas e cortinas.
Não coloque a mão nas gotículas de água que precipitam dos espeleotemas! O nosso corpo é dotado de substâncias que alteram o processo evolutivo destas formações!
O rio Ouro Grosso corre dentro da caverna, formando uma cachoeira. É permitido tomar um banho revigorante!
Outra experiência interessante é quando o guia pede para apagarmos as luzes das lanternas por alguns instantes e ficarmos na escuridão total em silêncio. É uma experiência forte, uma sensação que mistura medo e curiosidade! Não conseguimos enxergar nada!
No vídeo que disponibilizamos no final da postagem, o apresentador Celso Cavallini entra nesta caverna.
A saída é feita pelo mesmo local por onde entramos. A trilha continua até retornar ao ponto inicial no centro de visitantes.

-Trilha do Alambari e Caverna Alambari de Baixo:

Iniciamos a caminhada por uma estrada de terra, e depois entramos na Trilha do Alambari de mata fechada, com 3 km de extensão e nível de dificuldade baixo.
A entrada da caverna fica após um trecho de subida. Desta vez, a cavidade não passa despercebida! Para entrar, a primeira etapa é descer pelos grandes blocos de rochas. Chegando lá embaixo, o guia pede que todos apaguem as luzes para que prestemos atenção nos espeleotemas iluminados pela luz solar que chega pela entrada principal.

 
Entrada da Caverna Alambari de Baixo.

Entrada da Caverna Alambari de Baixo. (Foto: Tissiana Souza).

Visão dos espeleotemas com a luz solar.

Visão dos espeleotemas com a luz solar. (Foto: Tissiana Souza)


Depois iniciamos o percurso pela água do riacho Alambari! Nesta caverna haviam morcegos, mas eles estavam em um local muito alto, não provocando nenhum risco aos visitantes.

Caverna Alambari de Baixo

Caverna Alambari de Baixo, ainda na parte seca. Nosso guia Val na foto. (Foto: Tissiana Souza)


Quando chegamos em um ponto onde a água estava na altura no joelho, já num ambiente apenas iluminado pelas lanternas dos capacetes, o guia convocou os que não sabiam nadar para avisar que ficaria mais fundo, com água até o pescoço! Felizmente uma corda ajuda na travessia! 

 
Caverna Alambari de Baixo

Caverna Alambari de Baixo ainda no percurso raso. (Foto: Tissiana Souza).

Caverna Alambari de Baixo

Caverna Alambari de Baixo (Foto: Tissiana Souza)


Além da água num nível mais alto, o teto da caverna torna-se baixo, ficando a poucos centímetros da cabeça! É um percurso curto, porém com muita adrenalina! A verdade é que todos os medos são esquecidos pela curiosidade de observar a caverna!
Apenas 200m da caverna são abertos à visitação, mas a emoção é garantida! A saída é feita por um local estreito!
Após a saída chegamos no rio e veio mais emoção! 
Imagine um cordão de pessoas de mãos dadas cruzando o rio com um monte de seixos e pedregulhos soltos no fundo atrapalhando seu equilíbrio mesmo com a água batendo no joelho! Pois foi assim mesmo! E todos passaram ilesos!
Esse foi o nosso primeiro dia no PETAR, cheio de curiosidade, aventura, adrenalina e contato constante com a fonte da vida, a água! O PETAR nos mostra dois mundos totalmente diferentes em um único passeio: a exuberância da Mata Atlântica na superfície e a beleza indescritível das cavernas no subsolo!   

Confira no link a seguir um vídeo do Governo do Estado de São Paulo sobre o PETAR, mostrando as belezas naturais da Mata Atlântica, algumas trilhas e cavernas da região:
https://www.youtube.com/embed/-OQkjd2zRrY?list=PLIcQ1GPsdUfW0_90EruvqS2sRffW9UDzs

DICA: Para visitação nas cavernas, é necessário usar calça comprida, tênis e camiseta que cubra os ombros, além do uso obrigatório de capacete e lanterna. Use repelente e protetor solar!

AGRADECIMENTO: Aos nossos companheiros de viagem que "forasteiraram" junto com a gente e autorizaram o uso das fotografias 😉

Endereço

Sede Administrativa: Av. Isidoro Alpheu Santiago, 364, Apiaí-SP

Núcleo Ouro Grosso: Rodovia SP-165 - Km 156, Iporanga-SP

Preços para o ano de 2015

Visitação nas cavernas: R$12,00
Menores de 12 e maiores de 60 anos, pessoas com mobilidade reduzida ou necessidades especiais, moradores do entorno: Isentos
Estudantes: R$ 6,00

Estacionamento
Carros: R$6,00
Motos: R$4,00

Horário

Visitação das Cavernas - Núcleo Ouro Grosso

Caverna Ouro Grosso: de terça-feira a domingo, das 8:00 às 16:00 horas. Grupo de 8 pessoas + 1 monitor com intervalo de 30 minutos entre os grupos.

Caverna Alambari de Baixo: de terça-feira a domingo, das 8:00 às 15:20 horas. Grupo com 8 pessoas + 1 monitor com intervalos de 20 minutos entre os grupos.

Para mais informações

Sobre o PETAR - Secretaria Estadual do Meio Ambiente:
http://www.ambiente.sp.gov.br/petar/

Sobre a nossa hospedagem e guias - Pousada Capitão Caverna e Núcleo Terra:
http://www.nucleoterra.com.br/
facebook.com/nucleoterra
facebook.com/capitaocavernapetar

Sobre os organizadores da excursão - Forasteiros Viagens:
http://www.forasteiros.com/
facebook.com/forasteirosviagens

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