O Páteo do Colégio: as origens de São Paulo

O Centro Histórico de São Paulo guarda preciosidades do tempo! Desde sua fundação, a cidade mudou e cresceu (muito!), mas ainda apresenta as marcas de seus 461 anos de existência.
A nossa postagem apresenta o local onde a cidade de São Paulo começou: o Pateo do Collegio!

“Aqui sob a Cruz de Cristo nasceu esta cidade dedicada ao Apóstolo Paulo pelos jesuítas Padre Manuel da Nóbrega e o irmão José de Anchieta entre outros”, 25 de Janeiro de 1554.

 

O Pateo do Colegio de São Paulo (Foto: Tissiana Souza).

 

1. COMO CHEGAR: 

-MetrôEstação Sé (Linha 1 – Azul, Linha 3 – Vermelha).
Dentro da estação de metrô siga as placas de indicação da Rua Direita, assim você sairá em sentido oposto ao da Catedral da Sé. Caminhe até o final da Praça da Sé (ponto de referência: prédio da Caixa Cultural) e siga pelo Largo do Pateo do Colégio.
Há placas de turismo que indicam o Pateo do Colégio.
A caminhada tem 300m no total.

2. BREVE RESUMO HISTÓRICO DO PATEO DO COLLEGIO: 

História do Pateo do Collegio (grafia original) se mistura com a da Igreja de São José de Anchieta e do Museu Anchieta.
Tudo teve início no século XVI, no ano de 1553, quando o Pe. Manuel da Nóbrega escolhe o Planalto de Piratininga, localizado entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, para ser o local de uma nova missão da Companhia de Jesus.
No ano seguinte, em 1554, é levantada a primeira escola para a catequização dos índios. A construção de pau-a-pique torna-se o ponto para o crescimento de um vilarejo em seu entorno, sendo necessário, em 1556, aumentar o espaço através da construção de uma escola e uma igreja com taipas de pilão (mistura de plantas, estrume, barro, e sangue de animais).
A decadência do prédio original tem início em 1759, quando o Marquês de Pombal expulsa os jesuítas das colônias portuguesas. O Collegio passa a ser a sede do Governo de Morgado de Mateus e sofre uma grande reforma em sua fachada. O Governo do Estado de São Paulo muda de sede em 1930, e o edifício passa ser utilizado pela Secretaria da Educação, sofrendo uma perda total de suas características originais.
No ano de 1953, já perto das comemorações dos 400 anos da cidade de São Paulo, o local é devolvido aos jesuítas. Devido à deterioração do prédio, tudo é demolido. Em 1954, inicia-se uma nova construção projetada por Alberto Gomes de Cardim Filho, que buscou representar a arquitetura do edifício de 1681, a partir de fotografias históricas de Augusto de Militão e da imagem feita por Thomas Ender.

3. O QUE CONHECER NO LOCAL:

No Largo do Pateo do Colégio encontramos o Marco da Paz, um monumento presente em diversos países, como Portugal, Uruguai, China, Itália, México e Argentina. Idealizado por Gaetano Brancati Luigi, um italiano nascido durante a Segunda Grande Guerra, o Marco da Paz representa a união dos povos, na busca pela Cultura da Paz.
Andamos pelo jardim interno do Pateo do Collegio, de acesso livre, onde tivemos uma visão de parte da cidade de São Paulo. Uma grande cruz marca o local onde o Papa João Paulo II rezou uma missa em honra a José de Anchieta em 1980.

 

Escultura "O Evangelho na Selva" - Beato José de Anchieta, o apóstolo do Brasil, acompanhado da índia Bartira, filha de Tibiriçá. Autor: Eduardo de Sá (Foto: Tissiana Souza).

 

Jardim interno do Páteo do Colégio (Foto: Tissiana Souza).

 

A Cruz, no jardim interno do Páteo do Colégio, marca o lugar onde o Papa João Paulo II rezou uma missa (Foto: Tissiana Souza).


Aproveitamos, então, para conhecer o Museu Anchieta.
O museu foi inaugurado em 1979 e seu acervo é constituído por objetos de Arte Sacra. Na primeira sala, no andar inferior, há um conjunto de mapas antigos que mostram a evolução da cidade de São Paulo através do tempo. No centro, a maquete mostra como era a cidade quando foi fundada e a localização de atuais pontos importantes. Nas paredes, há informações sobre o contexto histórico da época.
No segundo andar fica o acervo propriamente dito. São cerca de 800 peças, que datam do Século XVI ao Século XX. São quadros religiosos, imagens, altares, relíquias de santos e objetos, alguns deles pertencentes ao antigo Collegio de São Paulo. Dentre as peças mais antigas, o destaque é a pia batismal feita em granito, do Século XVI, próxima às escadarias. Outro ponto importante e interessante são as “Paulistinhas”, que são imagens de santos feitas em barro, com 15 a 20 centímetros de altura, feitas nos Séculos XVIII e XIX, de traços e estruturas simples. Como o próprio nome diz, são imagens de santos típicas do estado de São Paulo.
Ir ao museu inclui ainda a visitação à Cripta da antiga Igreja do Collegio dos Jesuítas. Desde 2002 a cripta é uma sala de exposições temporárias do Museu Anchieta, que abre de hora em hora e funciona por apenas 20 minutos. Os alicerces expostos são originais da primeira construção. No horário de abertura, a monitora do museu convidará todos os visitantes para descer com ela à Cripta e ela dará uma explicação sobre a história do local.
A cripta recebeu os restos mortais dos primeiros habitantes de Piratininga, entre eles, o cacique Tibiriçá (atualmente sepultado na cripta da Catedral da Sé). A partir de 1757, os jesuítas passaram também a serem enterrados na cripta, seguindo os padrões ordenados pela Companhia de Jesus. Data de 1560 o registro mais antigo de uma pessoa enterrada no local (Isabel Dias – Bartira).
Ao lado da cripta está a Biblioteca Padre Antonio Vieira, inaugurada também no ano de 2002. O acervo é formado por 20 mil obras catalogadas, que tem como foco principal materiais sobre História da Companhia de Jesus e da cidade de São Paulo. A Biblioteca não faz parte da visita ao Museu.
Lembre-se de seguir as orientações: nenhuma das salas pode ser fotografada e não toque nas obras.
Após a visita ao Museu Anchieta, descansamos no Café do Pateo, localizado nos jardins. Você pode ir somente ao café se quiser, pois ele está na área de acesso livre do Pateo do Collegio. O espaço é bastante tranquilo e você vai esquecer que está no meio da cidade de São Paulo. A parede de taipa de pilão atrás das mesas é considerada a parede mais antiga de São Paulo, e fazia parte construção original do Collegio de São Paulo. É uma pena que a construção original tenha sido abandonada e deteriorada a ponto de precisar passar por uma demolição completa!
Aproveite para experimentar o “Shake do Santo”, uma bebida feita com café gelado.
Terminamos nossa passagem pelo Pateo do Collegio visitando a Igreja de São José de Anchieta.
A Igreja do Collegio, originalmente datada de 1554 iniciou-se com uma cabana. No século XVII é que tornou-se uma construção com típica arquitetura colonial jesuítica. Com a expulsão dos jesuítas das colônias portuguesas no século XVIII, a antiga igreja ficou totalmente abandonada. Com a queda de parte do seu telhado em 1896, ocorreu sua demolição.
A partir da devolução do Pateo do Collegio aos jesuítas, em 1953, construiu-se a nova igreja, que foi inaugurada em 1979. Desde 1980, o padre José de Anchieta é seu padroeiro. A igreja é bastante simples e pequena. Os altares laterais são decorados com azulejos.
A igreja pode ser fotografada, com exceção de uma Capela lateral, onde está exposto o fêmur de São José de Anchieta.

 

Interior da Igreja de São José de Anchieta (Foto: Tissiana Souza).

 

Altar lateral da Igreja de São José de Anchieta, feito com azulejos (Foto: Tissiana Souza).

 

 

 

 

Endereço

Pç. Pateo do Collegio, nº 2
CEP 01016-040, Centro, São Paulo - SP

Horário

De terça a sexta-feira, das 9:00 às 16:45 horas.
Sábado e domingo, das 9:00 às 16:30 horas. 

Preços para o ano de 2015

Pateo do Collegio, Jardins e Igreja de São José de Anchieta
Gratuito

Museu Anchieta (inclui a Cripta)
R$6,00 (inteira)/R$3,00 (meia-entrada)

Para mais informações

Acesse o site do Pateo do Collegio:
http://www.pateodocollegio.com.br/

Mapa de Transporte Metropolitano de São Paulo:
http://www.metro.sp.gov.br/pdf/mapa-da-rede-metro.pdf

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