Descobrindo o Parque Estadual do Guartelá

Conhecer o Parque Estadual do Guartelá foi o nosso primeiro passeio realizado em Tibagi, município da região dos Campos Gerais, no Paraná.

O Parque Estadual do Guartelá é uma Unidade de Conservação (UC) da Natureza sob gerência do Governo do Estado do Paraná, com 798,87 hectares. Por se tratar de uma UC, criada em 1.992 e implantada em 1.997, existem restrições de visitação e de atividades que podem ser feitas em suas dependências.

1.COMO CHEGAR:

-Carro: o P.E. do Guartelá fica a 21 km do centro de Tibagi. O acesso é feito pela PR-340 (Rod. Guataçara Borba Carneiro, também conhecida como Rod. Castro-Tibagi).

Para quem estiver na direção Tibagi→Castro, atenção para a placa verde que indica “TREVO PARQUE GUARTELÁ A 500m”. Mais afrente haverá uma nova placa "TREVO PARQUE GUARTELÁ A 200m”. Use como ponto de referência a agência de turismo Parada do Guartelá, que está situada no acesso, ao lado esquerdo da Rodovia.

Saindo da PR-340, haverá um portal de tijolos e madeira. A entrada do Parque do Guartelá fica a 1,5 km deste portal, ao lado direito da estrada de terra.

Quem está em sentido Castro→Tibagi também irá encontrar as placas verdes indicando o Trevo do Parque Guartelá a 500m e a 200m. Neste caso, a entrada ficará do lado direito. Tem um outdoor da Parada do Guartelá que serve como referência.

2.INFORMAÇÕES BÁSICAS DE VISITA:

O Parque Estadual do Guartelá apresenta dois tipos de trilhas:

-Uma autoguiada e gratuita, que se inicia na sede do Parque e vai até o Arroio Pedregulho, onde é possível tomar banho de rio nos panelões, visitar o mirante do Cânion e avistar a Cachoeira Ponte de Pedra.

O percurso, que apresenta uma passarela de madeira, é acessível a pessoas de todas as idades e com algum tipo de dificuldade de locomoção. Caso seja necessário, há uma perua do parque que faz parte do trajeto (para pessoas acima de 60 anos, crianças e pessoas com limitações motoras) e deixa os visitantes em frente à casa da única moradora no interior do parque.

Total: 5km de caminhada (ida e volta, a partir da Sede do Parque).

-Trilha Completa ou Trilha das Pinturas Rupestres: esta caminhada deve ser feita obrigatoriamente com guia! Foi esta a trilha que fizemos. Contratamos um guia na operadora de turismo Parada do Guartelá, e reservamos nosso passeio com antecedência, pois há um limite diário de 40 pessoas por operadora e a capacidade máxima é de 10 pessoas/guia. 

A visitação tem um total de 8 km de caminhada e dura cerca de 5 horas.

Preço: R$35,00/pessoa.

Parque Estadual do Guartelá

Pontos da Trilha Completa (Trilha das Pinturas Rupestres) no Parque Estadual do Guartelá (Fonte: Google Maps; Organizado por Tissiana Souza).

3.PREPARADOS PARA A TRILHA?!: O QUE LEVAR? O QUE USAR? O QUE FAZER?

-Há estacionamento, sanitários e bebedouro na Sede do Parque;

-Levar lanche, snacks e água – o parque não possui lanchonete. Leve no mínimo 1 litro de água/pessoa;

-Chapéu ou boné, protetor solar e repelente – existem partes da trilha em mata fechada com sombra, mas praticamente todo o percurso é com solzão direto na cabeça!

-Use tênis ou uma bota própria de trilha – a caminhada pelos arenitos é bastante instável, pois o terreno apresenta muitas irregularidades. Nas partes molhadas, cuidado redobrado para não escorregar nos afloramentos;

-Use roupas leves – opte por roupas próprias para atividades físicas ou para trekking. É possível fazer o trajeto de bermuda;

-Vá com roupa de banho (biquíni, maiô, sunga) – no final da trilha, para se refrescar do calorão, um banho nos panelões do Arroio Pedregulho vai renovar suas energias!

-Leve uma sacolinha para armazenar o lixo produzido: JAMAIS deixe embalagens, papéis, garrafas ou latas jogados pelas trilhas! É crime ambiental!

-Da natureza, somente leve fotografias e imagens gravadas na mente! Não colete plantas, flores ou arenitos. Também é crime ambiental!

-Ande somente nos caminhos demarcados. Não saia da trilha e respeite as indicações do guia. Mantenha-se sempre junto ao grupo.

4. DESCOBRINDO O PARQUE ESTADUAL DO GUARTELÁ:

A visitação ao Parque Estadual do Guartelá tem início na sede, onde precisamos preencher uma ficha com o nosso nome, R.G. e telefone.

A trilha começa em uma descida íngreme por uma estrada onde se deslocam os veículos do parque.

parque estadual do guartelá

Descida inicial para a Trilha Completa do P.E. do Guartelá (Foto: Tissiana Souza).

As paisagens vão se revelando aos poucos para nós: os campos cobertos por gramíneas, o Arroio Pedregulho, os primeiros afloramentos de arenito, as matas fechadas com presença de Araucárias.

parque estadual do guartelá

Primeiras vistas da paisagem do P.E. do Guartelá: vejam que tem uma queda d'água quase no centro da fotografia (Foto: Tissiana Souza).

Próximo à casa da única moradora no interior do parque, cruzamos o Arroio Pedregulho por uma ponte e passamos por um portão de madeira, que determina de fato o local onde inicia a Trilha das Pinturas Rupestres.

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Agora sim começa a "brincadeira"!

Fomos subindo um caminho de mata aberta e depois rapidamente passamos por uma mata fechada até chegarmos aos sanitários. Depois desta paradinha estratégica, seguimos rumo aos primeiros afloramentos de arenito. Aqui fizemos um exercício para a nossa mente imaginando com o que se parecem aquelas formações: Cachorros, São Jorge no cavalo, uma garota com o cabelo preso, prédios de uma cidade... as ideias vão longe!

parque estadual do guartelá

Essas formas dos arenitos conquistaram nosso S2!!! (Foto: Matheus Sabino).

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Mais dos arenitos Furnas (Foto: Tissiana Souza).

O grande destaque destas formas é uma que lembra um gavião. Diz a lenda que a ave foi petrificada naquele lugar...

parque estadual do guartelá

E parece muuuuuito um gavião! (Foto: Tissiana Souza)

O diferencial da trilha guiada é conhecer estes afloramentos de arenito em um contraste com a paisagem verde do entorno. Apesar do Sol escaldante e do calor, as vistas são tão bonitas que acabamos esquecendo disso! A vontade é de olhar para todos os lugares ao mesmo tempo e levar cada pedacinho de tudo aquilo na memória!

Lindas paisagens do interior do Paraná (Foto: Matheus Sabino).

É muito bonito ver as vegetações sempre verdes das margens dos rios se diferenciando das árvores e gramíneas de tons mais amarelados, que são típicas do cerrado, nas partes mais altas. Várias cactáceas nascem entre os arenitos, mostrando na prática como os vegetais são capazes de se adaptarem a diferentes condições ambientais.

A caminhada segue até a Lapa Ponciano, um sítio arqueológico monitorado pelo IPHAN, onde vimos pinturas rupestres de cerca de 7.000 anos. A lapa é uma espécie de paredão com um teto rochoso. É um ótimo ponto de abrigo!

parque estadual do guartelá

Chegada ao sítio arqueológico da Lapa Pociano (Foto: Matheus Sabino).

Esta lapa tem ainda uma vista privilegiada: é um mirante natural de onde se vê parte do Cânion do Rio Iapó (o Cânion do Guartelá).

Entre as pinturas, as mais visíveis é um desenho de uma cobra, um X e um veado. Algumas pinturas foram prejudicadas porque há alguns anos as pessoas que visitavam a área faziam fogueiras e pichavam a lapa. Infelizmente, são esses motivos que levaram ao acesso desta área somente com guia! Há outros 10 sítios arqueológicos como este no interior do parque que não são abertos à visitação.

parque estadual do guartelá

Pinturas rupestres: na foto superior, a cobra. Nas fotos inferiores, o veado e o X (Foto: Tissiana Souza).

Subimos no afloramento desta Lapa para termos uma das mais belas visões do Parque Estadual do Guartelá: o Cânion do Guartelá, que é considerado o cânion mais longo do Brasil, e o 6º mais longo do mundo, com cerca de 30 km de extensão. O rio Iapó estava bem caudaloso! O barulho das águas era ouvido à grande distância!

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Impressionante vista do Cânion do Guartelá! Uma satisfação poder conhecer um lugar como esse! (Foto: Tissiana Souza).

Após contemplarmos a beleza deste mirante exclusivo, partimos para o restante da caminhada!

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É bonito, é lindo! (Foto: Tissiana Souza).

O ponto mais bonito é a passagem que o nosso guia Guilherme chamou de Portal! Este local já está bem próximo ao Arroio Pedregulho, onde há uma porteira na ponte que indica o fim da trilha guiada!

parque estadual do guartelá

Portal (Foto: Tissiana Souza).

Paramos para um delicioso banho de rio no Arroio Pedregulho. O dia estava muito quente e a água bem gelada deu uma boa refrescada e renovada corporal! O legal de tomar banho no Arroio Pedregulho são os chamados panelões! São cavidades no leito do rio que lembram uma panela com água fervente!

parque estadual do guartela

Banho nos panelões do Arroio Pedregulho (Foto do Guilherme, nosso guia).

As panelas não são fundas, uma chega na altura da cintura e outra na altura do peito, mas a força das águas dá uma assustada nas pessoas. Eu me senti em uma máquina de lavar fazendo a centrifugação! Hahhaah... acho que esta é a melhor forma de definir como me senti num panelão! O fundo é fofo por causa das areias.

parque estadual do guartelá

Superando meu medo de água e minha fobia de água gelada..hahah (Foto: Matheus Sabino).

Depois perguntei para o Guilherme como as águas saem do panelão. Fiquei reparando que as águas somente entravam na cavidade e não saiam. O Guilherme disse que a água sai pelo fundo das panelas, passa pelas rochas e aflora novamente em uma cachoeira poucos metros abaixo de onde tomamos o banho de rio.

É necessário tomar muito cuidado ao entrar no arroio. O leito é muito liso e é fácil de escorregar! Se você não quiser entrar no panelão, pode ficar deitado no rio. É bem raso!!! 

Após o banho nos panelões, fomos aos mirantes da trilha autoguiada do Parque Estadual do Guartelá.

Primeiro visitamos o Mirante do Cânion do Guartelá. Seguimos por uma trilha passando em frente a outro Sítio Arqueológico tombado pelo IPHAN, o Abrigo Mirante, que não pode ser visitado. O mirante tem uma belíssima vista do Cânion Guartelá! É aquele tipo de visão que a gente gostaria de ficar por horas e horas observando! 

parque estadual do guartelá

Mirante do Cânion do Guartelá! Ah, esse Paraná... (Foto: Matheus Sabino)

Depois, andamos mais um pouquinho para chegar ao Mirante da Cachoeira da Ponte de Pedra. A queda d’água tem 120 m de altura!!! É lindíssima e mais ou menos no meio dela há uma ponte de pedra natural. É bonita demais e ao mesmo tempo, um local extremamente perigoso (tanto que é fechado para visitas e banhos).

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Vista do mirante da Cachoeira da Ponte de Pedra, com o Cânion do Guartelá (Foto: Matheus Sabino).

Após esta última parada, retornamos para a sede do Parque. A trilha termina subindo a estrada de veículos do Parque (mesmo caminho que fizemos no início).

Como sempre, junto com o cansaço corporal veio aquela sensação de felicidade por ter concluído o trajeto e por ter conhecido um lugar de beleza natural tão diferente! Se eu fosse você, colocaria o Parque Estadual do Guartelá AGORA na sua lista de lugares para conhecer no Brasil!

Endereço

Parque Estadual do Guartelá - acesso pela PR340, Tibagi, Paraná

Quanto custa?

Trilha Autoguiada: Gratuita; Trilha Completa: R$35,00

Horário

De terça-feira a domingo, das 08:00 às 16:00 horas. Aberto também em feriados nacionais.

Para mais informações

Parada do Guartelá:
http://www.guartela.tur.br/

Prefeitura Municipal de Tibagi - Turismo:
https://tibagi.pr.gov.br/turismo/

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