Museu Mural Diego Rivera

Você já imaginou conhecer um museu que tem apenas 1 obra!? Parece um devaneio, não é mesmo!? Mas esse museu existe e fica na Cidade do México!

A única peça em exposição é muito grandiosa: tem 4,17m de altura X 15,67 m de comprimento, 65,3 m² de área pintada, 35 toneladas, cerca de 150 personagens retratadas!

Na nossa passagem por terras mexicanas visitamos o Museu Mural Diego Rivera. Como o próprio nome do espaço revela, o autor do mural “Sonho de uma tarde de domingo na Alameda Central” (em espanhol, Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central) é o artista Diego Rivera (1886-1957).

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Entrada para o Museo Mural Diego Rivera (Foto: Tissiana Souza).

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Museu Mural Diego Rivera (Foto: Tissiana Souza).

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Busto de Diego Rivera (Foto: Tissiana Souza).

1.A HISTÓRIA DO MURAL:

Este imenso painel foi encomendado para o Hotel del Prado, um edifício que foi totalmente inovador para a arquitetura mexicana!
O hotel foi construído entre os anos de 1.933 e 1.946 e antes da abertura, em 1.947, o arquiteto da obra Carlos Obregón Santacilia propôs a Diego Rivera que fizesse uma pintura para o restaurante Versalhes, situado no próprio hotel. O tema principal proposto pelo arquiteto era a “Alameda Central”, a belíssima praça situada próximo dali (Fonte: Museo Mural Diego Rivera).

Rivera pintou o “Sonho de uma tarde de domingo na Alameda Central” entre julho e setembro de 1.947, com a técnica de afresco. Dois artistas ajudaram Rivera no trabalho – Rina Lazo e Pedro A. Penãloza – e o mestre Andrés Sánchez Flores ajudou a preparar o painel (Fonte: Museo Mural Diego Rivera).

No ano de 1.960, o mural foi transportado para o lobby. Assim, passou a ser visto por todas as pessoas, não somente pelos hóspedes.

Em setembro de 1.985, uma série de terremotos destruiu quase completamente edifício do Hotel del Prado. O mural só foi salvo porque estava na recepção!

Com a mudança de endereço do Hotel del Prado para outro prédio, o Mural precisava ser mais uma vez transportado. O local escolhido para a nova instalação foi o antigo estacionamento do Hotel Regis, situado no cruzamento das Calles Balderas e Cristóbal Colon (Fonte: Museo Mural Diego Rivera).

Ocorreu uma mega operação de deslocamento em dezembro de 1.986, que foi realizada pela Secretaria de Obras e Serviços do Distrito Federal e pela Comissão de Transporte Urbano. Ao todo, foram necessárias 12 horas para o transporte e mais de 300 pessoas foram envolvidas (Fonte: Museo Mural Diego Rivera).

Após a instalação, o local foi transformado do Museu Mural Diego Rivera, inaugurado em 19 de fevereiro de 1.988.

2.CONHECENDO O “SONHO”

Ao adentrar o salão onde fica o painel, fiquei bastante impactada! Como uma única obra pode conter tantas informações?!

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O "Sonho" de Diego Rivera (Foto: Tissiana Souza).

Somente entendi o mural depois de alguns minutos analisando cada parte! A carga de energia dramática é tão grande quanto as suas dimensões!

É difícil explicar todas as sensações que o “Sonho” me causou! Senti espanto, admiração, inquietação. É uma obra que realmente mexe com a nossa mente a partir de uma experiência visual!

É um mural de contrastes: quando olhamos ao centro, vemos uma Alameda Central colorida, de árvores com folhas verdes e fontes! Quando voltamos os olhos para as extremidades do imenso painel, notamos que as cores ficam mais sóbrias e as ações se tornam violentas! Fiquei muito chocada com a cena de um homem atirando a sangue frio no olho de outro homem ao lado direito. Na transição entre o centro e a parte direita do mural, um guarda expulsa uma família de camponeses, enquanto a criança parece chorar. Ao lado esquerdo, um garoto está roubando outro homem pelas costas!

Segundo o folder do museu, o mural é um dos retratos mais fieis da sociedade mexicana, onde se percebe a problemática social e cultural.

De acordo com o site do museu, “Sonho” é dividido em três partes:

-A primeira, ao lado esquerdo, representa a conquista do México, o período colonial, a invasão norte-americana e a independência;

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Primeira parte do "Sonho de uma tarde de domingo..." (Foto: Tissiana Souza).

-A parte central do mural se inicia com dois homens fazendo uma saudação com o chapéu. São dois escritores importantes da corrente modernista mexicana - Manuel Gutiérrez Nájera e José Martí.

Diego Rivera retratou a si mesmo com 9 anos de idade. Frida Kahlo está com a mão sobre seu ombro em um gesto maternal.

Diego está de mãos dadas com a caveira Catrina, que por sua vez está de braços dados com o seu criador José Guadalupe Posada.

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Parte central do painel (Foto: Tissiana Souza).

-A terceira parte do mural, ao lado direito, é relativa à Revolução Mexicana, com retratações das lutas do campesinato e da presidência sendo corrompida pelo poder, pelo dinheiro e pelas mulheres.

Na extremidade inferior direita, Diego Rivera mais uma vez fez um autorretrato! Desta vez, ele aparece de roupa azul e chapéu branco, comendo um pedaço de torta.

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3ª parte do mural: luta do campesinato (Foto: Tissiana Souza).

Assim, utilizando a Alameda Central como pano de fundo, Diego Rivera fez uma reflexão sobre a história e a sociedade de seu país.

A respeito do mural, Diego Rivera disse:

“A composição são lembranças da minha vida, da minha infância e da minha juventude e cobre de 1.895 a 1.910. Todos os personagens do passeio estão sonhando, uns dormindo nos bancos, e outros andando e conversando”.

3. SE TEM DIEGO RIVERA, TEM POLÊMICA!

Como a maioria das histórias que envolvem Diego Rivera, esta é mais uma cercada de polêmicas!

Na primeira parte do mural, Diego Rivera retratou Ignacio Ramírez, “el Nigromante”. O personagem segura em suas mãos um pergaminho com um discursos que era iniciado pela frase “Deus não existe”. Rivera pintou a frase no pergaminho, o que gerou controvérsias antes mesmo da inauguração do Hotel del Prado.

O arcebispo da Cidade do México, Luís María Martínez, se negou a benzer o restaurante em 1.948 por causa da frase! Estudantes conservadores entraram no espaço e riscaram o pergaminho até que a frase desaparecesse! Também riscaram o rosto de Diego Rivera.

Para esconder os problemas, o mural ficou por 8 anos com um biombo na frente, que só era retirado em algumas poucas ocasiões.

Em 1.956, Diego Rivera refez o pergaminho com a frase “Conferencia en la Academia de Letrán, el año de 1836”, continuando a ser uma alusão ao discurso de El Nigromante, porém sem a frase que gerou tanto estardalhaço!

O Museu Mural conta ainda com um espaço para exposições temporárias.

Suba as escadas para o mezanino, passando pela exposição temporária, de onde você poderá observar o mural de um outro ângulo!

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Mural de Diego Rivera visto do mezanino do museu (Foto: Tissiana Souza).

Quer conhecer o museu sem sair da sua casa? Faça uma visita virtual neste link aqui: https://www.inba.gob.mx/sitios/recorridos-virtuales/museo-mural-diego-rivera/

4. COMO CHEGAR:

-Metrô: Estação Hidalgo (Linhas 2 e 3). Saia para a Calle Balderas. O Museu Mural a cerca de 50 m da estação.

Endereço

Calle Balderas e Cristóbal Colon, s/n, Centro, CDMX.

Quanto custa?

$35,00 pesos mexicanos Permissão para fotografias: $5,00 pesos mexicanos; Permissão para filmagens: $30,00 pesos mexicanos. 

Horário

De terça-feira a domingo, das 10:00 às 18:00 horas.

Para mais informações

Museo Mural Diego Rivera:
https://museomuraldiegorivera.inba.gob.mx/

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