Conhecendo Guarulhos

Quando alguém fala da cidade de Guarulhos, no que você pensa?! Provavelmente você dirá: “o Aeroporto Internacional”. Mas, nesta postagem, você descobrirá que a cidade tem muito mais a oferecer!

Guarulhos está situada na parte leste da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), a 16 km da capital paulista. Tem a 2ª maior população da RMSP, com 1.337.087 habitantes (Fonte: EMPLASA).

Segundo o site da Prefeitura Municipal, Guarulhos foi fundada em 8 de dezembro de 1.560 pelo Jesuíta Manuel de Paiva. O primeiro nome da cidade foi Nossa Senhora da Conceição.

Guarulhos tinha terras originalmente ocupadas pelo índios Guarus (= índios barrigudos ou peixes barrigudos), pertencentes à tribo dos Guaianases (Fonte: Prefeitura Municipal de Guarulhos).

Um a cidade fundada há tanto tempo – 60 anos após o descobrimento do Brasil – certamente tem coisas para serem conhecidas! Então...bora!!!

Nosso passeio por Guarulhos foi de um dia (das 8:00 às 17:00 horas) e a monitoria foi feita pela Celi Pereira (Educadora Ambiental, Carteira Internacional da Terra) e pelo Elton Soares (Historiador e autor de diversos livros sobre a história de Guarulhos).

O ponto de encontro para o início do passeio foi em frente ao Teatro Adamastor (Av. Monteiro Lobato, nº 734, Bairro Macedo) e o destino foi o Bairro da Água Azul, a 22 km de distância do nosso ponto de encontro.

O Bairro da Água Azul é constituído de chácaras de recreação, mas também por população de baixa renda. Apesar de ser parte da área urbana, muitas ruas não são asfaltadas e há diversos lugares com características rurais.

Paramos rapidamente na Lagoa Azul, um corpo d’água usado por moradores locais para pesca de subsistência.

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A Lagoa Azul (Foto: Tissiana Souza).

O nome foi dado porque durante à noite, quando a luz da lua ilumina o lago, as águas ficam azuis.

Poético, não é mesmo?! Mas a realidade lá não é das melhores! A Lagoa Azul tem muita sujeira!

Depois seguimos para uma paradinha estratégica na ONG Eco Social Água Azul para ir ao banheiro e fomos para a nossa primeira parada, o Morro do Nhanguaçu!

1ª PARADA - MORRO DO NHANGUAÇU (OU MORRO DO NHANGUSSU):

Há duas possibilidades para chegar no topo do Morro do Nhanguaçu: subir caminhando ou ir de carro até o final da rua Monte Bianco e continuar por uma trilha curta de menos de 300 m.

Ir de carro é mais prático, já que o terreno é íngreme. No entanto, tem que ser bom de volante, pois em muitos lugares das ruas, se o carro não estiver “embalado”, não sobe! Ainda bem que o Matheus é bom motorista, pois fomos de carro acompanhando a van que fez o transporte do restante do pessoal que estava no passeio!

Utilize um calçado confortável para subir o morro. Dê preferência para uma bota apropriada para trilha ou um tênis que esteja com um solado bom. Tênis do tipo “keds” são menos apropriados, pois muitos lugares da pequena trilha eram lisos e havia perigo de torcer o pé.

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Trilha de subida para o Morro do Nhanguaçu (Foto: Tissiana Souza).

Ao chegar no topo do Morro do Nhanguaçu, primeiro pudemos apreciar a vista e tirar fotos! E que vista surpreendente! O que mais ouvimos das pessoas que estavam na visita, a maioria delas de Guarulhos, foi: “Não conhecia esse lugar!”, “Que lindo, não sabia que Guarulhos tinha um lugar assim!”, “Às vezes vamos tão longe para buscar estas vistas e temos um lugar lindo aqui perto de nós!”. Todas essas frases também passaram pela nossa cabeça!

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Vista do Morro do Nhanguaçu (Foto: Tissiana Souza).

Nós curtimos muito vistas panorâmicas e uma visão destas dentro da Região Metropolitana de São Paulo é um presente!

A “ferida” que encontramos na paisagem é uma pedreira (peço desculpas, dono da pedreira!), mas ela é um ponto negativo e impactante aos nossos olhos! É um ponto contrastante, pois temos uma mata verde cobrindo as vertentes da Serra de Itaberaba e um local totalmente artificial, que provoca uma mudança radical no morro!

Do Morro do Nhanguaçu é possível ver a parte leste da Região Metropolitana de São Paulo e Guarulhos. Inclusive, os aviões que decolavam do Aeroporto Internacional passavam baixinho em cima de nós! É possível também ver a região do Vale do Paraíba e o Pico do Gil, com 1.442 m de altitude e ponto mais alto da Região Metropolitana de São Paulo (é mais alto que o Pico do Jaraguá).

O Morro do Nhanguaçu é um dos divisores de águas das bacias hidrográficas do rio Tietê e o do rio Paraíba do Sul, por isso conseguimos ver a região do Vale do Paraíba.

Após momentos de contemplação e admiração, nossos monitores Celi e Elton nos deram uma verdadeira aula de história, geografia e geologia!

Nhanguaçu significa “valeta grande”, pois, bem em nossa frente estava a Falha Geológica do rio Jaguari.

No Morro do Nhanguaçu encontramos diversos afloramentos de ardósia, rochas comumente utilizadas para fazer piso. Aqui, elas se encontram inclinadas, devido a ações geológicas ocorridas durante a separação do Brasil e da África, que provocaram o soerguimento de rochas de fundo oceânico.

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Afloramentos de ardósia no Morro do Nhanguaçu (Foto: Tissiana Souza).

Ficamos sentados de frente ao Parque Estadual de Itaberaba, uma reserva de Mata Atlântica. Segundo nossos guias, Itaberaba significa “pedra que brilha”, pois, quando o sol bate nas rochas, é difícil olhar para elas!

O Parque Estadual de Itaberaba é uma Unidade de Conservação de criação recente (2.010). O parque abriga suçuaranas (onças pardas), que são animais indicadores de um ambiente saudável, pois as onças estão no topo da cadeia alimentar.

Destacam-se na paisagem as embaubas, árvores de folhas acinzentadas e mais altas que as outras árvores, onde geralmente ficam as preguiças.

Segundo nossos guias, a vegetação de Mata Atlântica do parque é secundária e sofreu um processo de regeneração natural após o período da 2ª Guerra Mundial, quando a área foi devastada para a fabricação de pólvora. Ás árvores eram cortadas, mas os troncos ficaram, permitindo o novo crescimento das plantas.

O conjunto de Mata Atlântica formado pela Serra de Itaberaba, Serra do Bananal e Serra da Cantareira constitui a maior floresta urbana no mundo (somando as áreas das 3 serras)! 

Depois das explicações, a Celi pediu que procurássemos um bloco de ardósia que gostamos, e que sentássemos sobre a rocha, tocássemos a ardósia para receber a energia que vem da terra. Procuramos um lugar para sentarmos e nos 10 minutos reservados para a atividade fizemos meditação! O local é muito tranquilo! Somente o barulho do vento batendo nas plantas e no nosso corpo!

Pela 1ª vez eu realmente consegui meditar profundamente! Foi demais!

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Matheus fotografou meu momento de meditação profunda! (Foto: Matheus Sabino).

Após a atividade, o grupo que estava no passeio pôde falar o que sentiu. E realmente as pessoas se sentiam felizes por estar em um lugar onde somente havia vento, uma vista bonita e tranquilidade. Muitos falaram ainda de poder respirar ar puro e estar no silêncio (principalmente longe do barulho de automóveis e buzinas!).

O Morro do Nhanguaçu, mesmo sendo um lugar bonito, não escapa das ações negativas do homem. Há muito lixo no local e grande parte dos afloramentos de ardósia estão pichadas! É uma pena que muitas pessoas não tenham um mínimo de consciência com o ambiente!

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Um lugar tão bonito e tão perto da cidade! (Foto: Matheus Sabino).

A Celi distribuiu diversas sacolas e luvas e, em uma ação de retribuição à natureza, recolhemos plásticos, bitucas de cigarro, garrafas, latas, etc. para serem descartados de forma correta.

Seguimos para a 2ª parada do nosso passeio!

2ª PARADA – CACHOEIRA DO VALE DAS ORQUÍDEAS:

Sim, teve cachoeira nesse passeio!

A Cachoeira fica nas dependências do Clube de Campo Vale das Orquídeas, que abre aos sábados, domingos e feriados.

A cachoeira tem acesso muito fácil! A entrada fica às margens da Rua Jequiá, quase no cruzamento com a Rua Lagoa Juparana e Rua Pedra do Sinó.

Escadarias levam até a base da cachoeira! Há também uma ponte sobre o rio. Duas piscinas rasas ao pé da cachoeira permitem que os banhistas se divirtam!

O dia estava um pouco frio! A turma quase toda molhou apenas os pés, mas as crianças não ficaram com medo da água fria e encararam um banho gelado!

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Cachoeira do Vale das Orquídeas (Foto: Tissiana Souza).

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Cachoeira do Vale das Orquídeas (Foto: Tissiana Souza).

Ficamos por lá cerca de 40 minutos e seguimos para o nosso almoço.

ALMOÇO:

Almoçamos na ONG Eco Social Água Azul, onde fomos recebidos pela presidente da organização, a Neia! E que almoço, minha gente! Arroz, feijão, polenta, salada, frango assado, suco, água, melancia, mousse de maracujá de sobremesa, café e chá!!! Eita comida boa!!! Gostinho de comida caseira!

Depois do almoço, o Elton contou algumas histórias assombradas das redondezas... Acho que era para a gente sentir medo, mas a verdade é que acabamos caindo na risada!

Fomos em direção à 3ª e última parada do nosso dia de aventura!

3ª PARADA – LAVRAS VELHAS DO GERALDO:

Nossa última parada foi em um local histórico do nosso país: a lavra de mineração de ouro mais antiga do Brasil, descoberta por Afonso Sardinha, datada de 1.589, segundo Pedro Taques. O local é conhecido como “Lavras Velhas do Geraldo” e o acesso é no interior de uma propriedade particular.

O nome “Lavras Velhas do Geraldo” vem de um explorador da lavra posteriormente a Afonso Sardinha. Era Geraldo Correa Sardinha. O sobrenome coincide, mas os dois não eram parentes.

Chegamos por uma estrada de terra e paramos à beira de um córrego com mata fechada. Atravessamos o pequeno curso d’água e quando nos demos conta, estávamos caminhando na antiga área onde os escravos faziam a lavagem dos detritos em busca de ouro.

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Toda viagem tem que ter emoção: bora cruzar o rio sem molhar os pés! (Foto: Matheus Sabino).

Os rejeitos foram sendo jogados às margens do rio que atravessamos, formando dois morros artificiais com uma valeta no centro.

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Caminhada pelos detritos de mineração descartados pelos escravos (Foto: Matheus Sabino).

Chegamos ao um ponto de escavação profundo, com cerca de 3 m de paredão rochoso. O Elton nos explicou que os escravos que trabalhavam na extração de ouro não eram escolhidos aleatoriamente. Eram pessoas que já faziam este mesmo tipo de trabalho na África e que, portanto, tinham conhecimento das técnicas de mineração.

Também eram os escravos os responsáveis por levar o ouro para o Porto de Santos. Eles percorriam o Caminho das Lavras carregando entre 25 e 30 kg do minério na cabeça!

Foi muito interessante poder conhecer um lugar histórico como este, que nem imaginávamos ficar tão perto de São Paulo!

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Lavras velhas do Geraldo, antigo ponto de mineração de ouro (Foto: Tissiana Souza).

***

Ao final do passeio, fizemos uma roda ali mesmo na estrada próximo ao córrego, e a Celi pediu que falássemos palavras que representavam aquele dia. Foram muitas palavras positivas! Em seguida, estendemos nossos braços para o centro da roda e falamos todos ao mesmo tempo a palavra que significava aquele dia para cada um! Assim, todos dividiram suas palavras positivas com as outras pessoas que estavam ali!

Ao chegar em casa, bateu aquele cansaço bom de um dia diferente e produtivo, longe da TV e da internet. Fazer um "digital detox" parece que sempre renova as nossas mentes e os nossos corpos e faz com que lembremos que as memórias mais interessantes não podem ser fotografadas ou filmadas! Elas são sentidas e guardadas no nosso interior!

Como este passeio era mais voltado para a educação ambiental, fiquei refletindo durante todo o dia sobre o quanto contemplamos a natureza, ao invés de nos sentirmos integrados a ela! E este passeio provocou justamente essa interação através de seus elementos: através do ar, sentindo a brisa tocar o rosto e fazer os cabelos voarem; através das rochas, buscando a energia que vem da terra pelo toque; através das águas, pelo "banho" de cachoeira; e através da vegetação, ao adentrar a mata fechada!

***

Por último, agradecemos à Michelle (minha cunhada e irmã do Matheus) pela super dica desse passeio, à Celi, ao Elton e à Neia pela atenção e explicações tão didáticas! 

Preço para o ano de 2017

R$ 50,00

Para mais informações

Turismo Guarulhos:
https://www.turismoguarulhos.com/

Turismo Guarulhos - Facebook:
https://www.facebook.com/guarulhosturismo/

ONG Eco Social Água Azul:
http://ecosocialaguaazul.blogspot.com.br/

ONG Eco Social Água Azul - Facebook:
https://www.facebook.com/Ong-Eco-Social-Água-Azul-188294244688252

Clube de Campo Vale das Orquídeas:
Rua Lagoa Juparana, nº31, Orquidiama, Guarulhos/SP, CEP: 07159-290, Tel.: (11) 2088-8737.

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