Visita guiada pelo Edifício Matarazzo

Conhecer um prédio histórico é sempre um passeio muito interessante! E quando esse edifício é uma Prefeitura Municipal, melhor ainda! É dar a possibilidade aos cidadãos de conhecerem o local onde parte das decisões que regem a cidade são tomadas!
Nós fomos conhecer o Edifício Matarazzo, também conhecido como “Banespinha”, construído entre 1937 e 1939, e que foi a Sede das Indústrias Reunidas Matarazzo. Desde o ano de 2004, o edifício é a Sede da Prefeitura Municipal de São Paulo.
Nós fizemos uma visita guiada e gratuita pelo edifício!

1. COMO CHEGAR:

Metrô: a estação mais próxima é a Anhangabaú (Linha 3 – Vermelha).
Há ainda outras duas opções:
-Estação Sé (Linha 1 – azul; Linha 3 – vermelha): procure as placas de saída do metrô que indicam a Rua Direita. Você sairá em sentido oposto ao da Catedral da Sé. No final da Praça da Sé, vire à esquerda na Rua Direita. Continue até a Praça do Patriarca. Atravesse a Praça e você chegará ao Viaduto do Chá, local onde está o Edifício Matarazzo.
-Estação São Bento (Linha 1 – Azul): Este foi o caminho que nós fizemos. Siga as placas de saída para o Largo de São Bento. Siga pela Rua São Bento, em sentido oposto à Igreja do Mosteiro de São Bento. Vire à direita na Praça do Patriarca (atravesse a praça) e você chegará ao Edifício Matarazzo.

 2. ORIENTAÇÕES PARA A VISITA GUIADA:

-Aos finais de semana, segundo o nosso guia Marcelo, a concorrência é bem maior. Durante os dias da semana é bem mais tranquilo.
-Horários: de segunda-feira a sábado às 10h30, 14h30 e 16h30.
-Não há necessidade de agendamento, porém, é necessário chegar com 1 hora de antecedência e no máximo 15 minutos antes do horário da visita. 
-Estar portando um documento com foto. Para crianças menores de 5 anos, é aceita a Certidão de Nascimento.
-Ponto de encontro: recepção do Edifício Matarazzo.
-É permitido fotografar o interior do edifício, mas é proibido fazer filmagens.
-A orientação do guia é que o grupo permaneça sempre unido. Uma dispersão do grupo pode resultar no cancelamento da visita! Além disso, toda a visita é acompanhada pelos guardas da GCM (Guarda Civil Metropolitana), que são responsáveis pela segurança do prédio.
-Os visitantes serão cadastrados pela GCM no hall de entrada.
-Bolsas, mochilas e carrinhos de bebê ficam no guarda-volumes do edifício.
-Há um limite máximo de 10 pessoas por horário.
-Não há restrição para roupas (pode-se usar shorts, por exemplo).

3. A VISITA GUIADA:

 Quem conduziu nossa visita foi o Marcelo, guia da SpTuris. Durante cerca de 1 hora e 20 minutos, ele nos conduziu pelas salas do edifício. Gostamos muito dele, pois foi muito simpático e atencioso com o grupo todo! Respondeu a todas as nossas perguntas.
A visita começa no Viaduto do Chá, com uma explicação sobre a fachada do prédio. Segundo o guia, houve um concurso para a escolha do projeto vencedor. Segundo o site “Cidade de São Paulo”, o Edifício Matarazzo foi projetado por Severo e Vilares, com supervisão do arquiteto italiano Marcello Piacentini.
O prédio tem um estilo neoclássico, com composição moderna. A fachada é coberta por mármore travertino romano e totalmente simétrica. Foram utilizadas, no total, 170.000 placas de mármore! Pura ostentação!
Acima das portas de entrada estão 5 painéis esculpidos, que representam as 5 principais áreas de atuação das indústrias Matarazzo: o tear, a fornalha, a agricultura, a manufatura e a química.

 

Fachada do Edifício Matarazzo (Foto: Tissiana Souza).

As grades nas portas de entrada são originais, e saem do chão em direção ao teto. Segundo o guia, essa é uma técnica utilizada para evitar invasões. Se as grades descessem, daria tempo de muitas pessoas entrarem no edifício.
Seguimos para o hall de entrada (ou saguão principal), que na verdade é o 3º andar do edifício. O hall é grandioso, com colunas simétricas típicas do estilo neoclássico e revestidas de mármore.
A primeira coluna (do lado esquerdo e do lado direito) apresenta estátuas esculpidas no mármore. As figuras significam o trabalho humano em todas as suas formas, algo que era muito valorizado por Francesco Matarazzo.

 

Figuras esculpidas na coluna, representando o trabalho (Foto: Tissiana Souza).

No fundo do saguão, bem acima das portas dos elevadores, está um belíssimo mosaico com o mapa do Brasil, que mostra a divisão político-administrativa e a ortografia da época. O mosaico foi feito em 1939 na Itália. Porém, devido à ocorrência da 2ª Guerra Mundial, o mosaico só veio para o Brasil em 1946.

 

Hall de entrada do Edifício Matarazzo, com colunas cobertas por mármore travertino e ao fundo, o mosaico com o mapa do Brasil (Foto: Tissiana Souza).

No mapa é possível notar as grafias antigas em diversas palavras, como “Paraguay”, “Uruguay”, “Goiaz”, “Matto Grosso”, “Piahuy”, “Parahyba”. Na época em que o mosaico foi construído, não existiam os Estados de Tocantins, Mato Grosso do Sul e Amapá, por exemplo.

 

Mosaico com o lindo mapa do Brasil (Foto: Tissiana Souza).

Você pode estar se perguntando como Francesco Matarazzo ficou tão rico! O italiano realmente foi muito visionário para a época! Descemos uma escada em caracol e seguimos para uma sala onde assistimos um vídeo com a história das indústrias e, consequentemente, da família.
Francesco Matarazzo era comerciante na Itália, onde vendia secos e molhados e banha de porco. Em 1881, ele se muda para o Brasil com a família, trazendo uma carga de banha de porco, que é perdida na travessia. Fixado em Sorocaba, começou seu trabalho no Brasil como mascate e depois abriu um armazém de secos e molhados.
Em 1882, Francesco passa a produzir banha de porco. Essa foi uma grande “sacada”, já que o Brasil importava banha.
Em 1900, Matarazzo monta o primeiro moinho de trigo do Brasil.
Francesco foi abrindo indústrias para atuar em toda a cadeia de produção – desde o plantio até a entrega dos produtos na embalagem. Ele identificava as necessidades de produtos, e investia no ramo.
A 1ª tecelagem dos Matarazzo foi construída para fazer os sacos para a armazenagem da farinha de trigo.
Entre 1937 e 1977, Francisco Matarazzo Junior foi o condutor das indústrias. Deixou administração das indústrias nas mãos de sua filha, Maria Pia Matarazzo, o que gerou uma guerra judicial entre os familiares, já que os irmãos homens não admitiam que uma mulher ficasse no comando máximo das fábricas.
O conjunto de 365 fábricas chegou a ter 30.000 funcionários! O grupo entrou em concordata no final da década de 1980.
Após assistirmos o vídeo, seguimos para o Gabinete do Prefeito, localizado no 5º andar. Saímos do elevador e entramos em uma grande sala de espera, com paredes revestidas com couro de animal e grandes espelhos. Há dois sofás e duas poltronas de couro. Há também dois grandes brasões esculpidos em madeira e fixados nas paredes entre as janelas.

 

Revestimento com couro de animal nas paredes (Foto: Tissiana Souza).

 

Sala dos espelhos, a sala de espera para quem tem hora marcada com o Prefeito (Foto: Tissiana Souza).

 

Passamos pela sala de reuniões, onde há painéis que mostram a situação da cidade de São Paulo em tempo real (câmeras, informações de trânsito, etc).

 

Sala de reuniões (Foto: Tissiana Souza).

Depois, seguimos para o Gabinete do Prefeito. Os quadros expostos na sala estão ali desde o período dos Matarazzo. Há também um móvel onde estão expostos os presentes recebidos pelo Prefeito e pela Cidade de São Paulo. Nosso guia Marcelo disse que os presentes que são nominais ao prefeito podem ser levados embora por ele no fim da administração. Os presentes que foram nominais à Cidade de São Paulo permanecem na prefeitura.

 

Gabinete do Prefeito (Foto: Tissiana Souza).

Nossa próxima parada foi o 12º andar, onde há um jardim suspenso com mais de 400 exemplares de plantas. O jardim é chamado “Walter Galera”, uma homenagem ao zelador do edifício e que iniciou o plantio na década de 1970.

 

Jardim "Walter Galera" (Foto: Tissiana Souza).

 

Mais detalhes do jardim do Edifício Matarazzo (Foto: Tissiana Souza.

Hoje, as plantas são catalogadas e identificadas por placas. As árvores mais altas chegam a atingir 8 metros! Para a segurança dos cidadãos, algumas árvores estão presas por cabos de aço.

 

Identificação das plantas do jardim "Walter Galera" (Foto: Tissiana Souza).

É inacreditável e uma boa surpresa saber que há um jardim como este no topo de um prédio! O ambiente é muito agradável, e a vista da cidade é inspiradora!
Há 3 mirantes neste andar:
-o Mirante 1 é o do Palácio Anchieta, de onde é possível ver a Câmara Municipal de São Paulo, o Edifício Praça da Bandeira (antigo Edifício Joelma) e o Terminal das Bandeiras.

 

1º mirante - Palácio Anchieta (Foto: Tissiana Souza).

-o Mirante 2 é chamado Altino Arantes, onde o grande destaque é o Edifício Altino Arantes, o Banespão!

 

2º Mirante - Altino Arantes. Destaque para o Banespão (Foto: Tissiana Souza).

-o Mirante 3 é o do Theatro Municipal, de onde é possível ver o próprio teatro, o Vale do Anhangabaú e o antigo prédio dos Correios. Se você olhar para a direção esquerda neste mirante, verá o Edifício Copan e o Terraço Itália, que se destacam por estarem em um ponto mais alto da cidade.

 

3º Mirante - Theatro Municipal. Lindas vistas de São Paulo! (Foto: Tissiana Souza).

Como sempre, ver São Paulo de cima surpreende!
O Edifício Matarazzo é tombado pelo CONDEPHAAT e como patrimônio, deve manter preservada sua fachada, o hall de entrada (saguão principal) e o 5º andar (Gabinete do Prefeito).
Para quem procura um passeio que reúne história, arquitetura e uma vista bonita de São Paulo, esse passeio é imperdível!

Endereço

Viaduto do Chá, n°15, Anhangabaú, Centro, São Paulo

Preço para o ano de 2016

Gratuito

Para mais informações

Cidade de São Paulo - Site Oficial de Turismo da Cidade de São Paulo:
http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/

Prefeitura de São Paulo - área do turista:
http://capital.sp.gov.br/turista

Mapa da Rede de Transporte Metropolitano de São Paulo:
http://www.metro.sp.gov.br/pdf/mapa-da-rede-metro.pdf 

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